Homem da Meia-Noite cobra demarcação das terras indígenas: ‘Salve a mata’

Os homenageados deste ano foram o cantor Marrom Brasileiro, o Caboclinho Sete Flechas e o Povo Xucuru, que foi representado pelo cacique Marcos Xucuru.

Homem da Meia-Noite cobra demarcação das terras indígenas: ‘Salve a mata’

O traje do Homem da Meia-Noite em 2024. Foto: Marília Parente/LeiaJá

Com indumentária inspirada em trajes indígenas, o Homem da Meia-Noite saiu da sede exatamente a 0h, com dizeres como “democracia é demarcar”, “Brasil, terra indígena” e “Salve a Mata”. No chapéu, também estão presentes nomes de povos indígenas, como Pankararu e Kariri.

O traje do calunga é assinado pela estilista Dayana Molina. Nascida no Rio de Janeiro, a artista é filha de mãe Fulni-Ô.

Os homenageados deste ano foram o cantor Marrom Brasileiro, o Caboclinho Sete Flechas e o Povo Xucuru, que foi representado pelo cacique Marcos Xucuru.

Foto: Júlio Gomes/LeiaJá

“Nós recebemos essa homenagem com muito orgulho. Acreditamos que tudo isso está ligado dentro de uma perspectiva de ancestralidade, onde o calunga também transita, nessa espiritualidade”, iniciou Marcos.

“O povo Xucuru milita há séculos, milita pelo seu território, resiste até hoje. Então acho que essa homenagem é trazer, através do Carnaval, as lutas que hoje esse país enfrenta. Seja os povos indígenas, os quilombolas, o povo cigano… as ditas minorias que resistem. Esse processo traz à luz da sociedade essa reflexão”, disse o cacique.

Marcos Xucuru revelou esperar que a participação do seu povo em um evento da grandiosidade do desfile do Homem da Meia-Noite possa conscientizar mais pessoas sobre o tema.

“Imagine cada um dessa multidão sair daqui com essa reflexão: o que eu posso fazer para contribuir no país que vivo. Um sentimento de pertencimento, de fazer a minha parte. Não tenho dúvida que seria diferente. Através do Carnaval nós vamos plantando essa semente para tocar o coração de cada um”, finalizou.

Marrom Brasileiro

Outro homenageado da noite, o cantor Marrom Brasileiro também falou com a nossa reportagem sobre a honraria recebida.

“É uma forma de gratidão da minha parte, me empenhar com todas as questões dos povos originários do Brasil, especificamente, dessa nação, que hoje eu considero como uma família, que é o povo Xucuru. Me recebeu de uma forma maravilhosa e tenho esse amor por eles. A minha música provem dos bumbás, caboclinhos, guerreiros, de todos os povos originários desse país”, afirmou o artista.

Com informações de Marília Parente