Websérie “Pretas na Pandemia” será lançada no dia 20

Obra gravada na vertical foi produzida por uma produtora audiovisual 100% negra da Amazônia, a Negritar Filmes e Produções

Denúncia, inovação e representatividade. Com cinco episódios, a websérie “Pretas na Pandemia” apresenta situações enfrentadas por mulheres negras da Amazônia durante a crise sanitária da covid-19. A ideia de fazer esse recorte no contexto pandêmico foi da jornalista Joyce Cursino, diretora e produtora executiva da websérie. “A pandemia da covid-19 agravou as mazelas enfrentadas pela população negra das periferias e comunidades tradicionais. Isso precisa ser denunciado para que não seja esquecido, pois essa é uma das maiores estratégias do racismo: o apagamento das nossas histórias”, afirma a cineasta.

A obra, realizada durante a pandemia pela Negritar Filmes e Produções, seguiu todos os protocolos de segurança, com a higienização dos equipamentos, uso de máscara e testes entre equipe e elenco, gerando emprego e renda para mais de 50 pessoas, a maioria negras. “Durante a pandemia, nós ficamos paralisados. A arte como forma de protesto não é aceita, mas nesse contexto me encontrei e me identifiquei com a equipe da Negritar. Também foi um amparo, uma válvula de escape pra mim que sou mãe, vó e sustento minha família”, diz a atriz paraense Sônia Miranda. 

Representatividade não só na frente como também por trás das câmeras, já que a maioria da equipe foi composta por mulheres negras. “Escrever o ‘Pretas na Pandemia’ foi a realização de um sonho. Nunca me imaginei nesse circuito comercial, embora escrevesse desde a infância. Sou do interior, minha família não tem muitas condições, mas sempre se esforçou para garantir que eu pudesse estudar. Essa vitória também é deles, dos meus parceiros da Negritar e dos meus ancestrais que me dão força pra continuar”, diz Mayara Coelho, uma das roteiristas da websérie.

A produção paraense inova na região ao trazer uma obra de ficção gravada no formato vertical, mas esse nem de longe foi o maior desafio dessas jovens mulheres realizadoras que, por medidas de segurança da covid-19, tiveram que mudar o cronograma das gravações diversas vezes e ainda tiveram arquivos sequestrados por um software de extorsão, conhecido como “ransomware”. O material só foi recuperado no final do mês de outubro. 

A websérie “Pretas na Pandemia” foi contemplada no edital de audiovisual da Lei Aldir Blanc e contou com apoio cultural do Governo do Estado do Pará, Fundação Cultural do Estado do Pará, deputada estadual Marinor Brito e Namazônia.

Serviço

Lançamento Virtual da Websérie “Pretas na Pandemia”. 

Data: 20.11.2021(sábado).

Hora: 18h30.

Local: IGTV do @pretaswebserie

Da assessoria da Negritar.