Livro aborda vida de comunidades ribeirinhas de Belém

Estreia da professora Betânia Fidalgo na literatura infantil, “Balainha” resulta de projeto desenvolvido na região das ilhas da capital paraense

qui, 23/09/2021 - 08:52

O primeiro livro da coleção chamada “Baú da Professora”, intitulado “Balainha”, de autoria da reitora da UNAMA - Universidade da Amazônia, Betânia Fidalgo, foi lançado na noite de terça-feira (21), no auditório David Mufarrej, no campus Alcindo Cacela da universidade, em Belém. A obra conta a estória de Balainha, ribeirinha da ilha de Caratateua (Outeiro), que é considerada uma Matinta Pereira pelas crianças da localidade porque "some" por um dia todos os meses e, quando reaparece, leva presentes para os outros moradores da ilha.

A obra literária – que é fruto de um projeto desenvolvido com mulheres de comunidades ribeirinhas, de pesquisas e experiências vividas por ela nas ilhas – retrata a cultura, as riquezas e a vida de mulheres de escolas ribeirinhas de Belém. Balainha distribui remédios e alimentos que consegue na cidade, dando exemplo de solidariedade.

Durante o lançamento, que teve a participação de professores, coordenadores, alunos e membros da Academia Paraense de Letras (APL), a educadora e gestora relembrou a sua trajetória desde o início, quando ainda fazia parte de um projeto de pesquisa sobre a educação ribeirinha, e contou o que viveu e aprendeu ao visitar as comunidades. 

“Eu me tornei a pessoa e a professora a partir desses encontros, dessa relação, de todo esse processo que eu fui construindo com aquelas pessoas, com aquelas identidades, com aquele contexto, com todas as histórias”, afirmou. 

Betânia Fidalgo é presidente do Conselho Estadual de Educação e imortal da Academia Paraense de Letras (APL). Ela destacou os efeitos da convivência com as mulheres ribeirinhas na sua formação. “Eu refiz conceitos, reorganizei ‘Betânias’, que foram muitas até então, e devem ser muitas que ainda virão, com certeza”, disse.

Betânia Fidalgo fez uma breve homenagem ao centenário do educador Paulo Freire e ressaltou que é impossível fazer formação humana e pensar na construção da sociedade sem pensar na educação. “É impossível fazer isso sem pensar na possibilidade de fazer com que as pessoas, ao entrarem em contato com o conhecimento, com a informação, construam possibilidades ilimitadas de entender-se no mundo, para o mundo e com o mundo”, enfatizou.

A educadora contou que precisava contar as histórias que vivenciou de uma forma que crianças pudessem, a partir da própria linguagem e da literatura, compreender o mundo e que essa cultura precisa ser vista e revisitada. A partir disso, ela reafirmou que “Balainha” permite a compreensão da vida que existe nas ilhas ribeirinhas.

Em seu discurso, Betânia agradeceu aos que estavam presentes, à família, aos professores e comentou sobre a importância da parceria com a editora SM. Ela também ressaltou que é possível fazer a diferença em qualquer lugar. “É possível olhar para a história da Balainha e entender como uma mulher idosa, solitária, entendeu o papel dela no mundo, disseminou solidariedade e mudou a vida daquelas pessoas de Belém”, finalizou.

O presidente da Academia Paraense de Letras, professor Ivanildo Alves, elogiou a educadora e ressaltou que educadores e professores têm a missão de fundir o conhecimento técnico-científico e a obrigação de desenvolver e incentivar a leitura entre os alunos, na universidade e em todos os níveis em que o magistério se desdobra.

“Ela [Betânia Fidalgo] se propõe a uma missão muito difícil que é desenvolver um amor pela leitura, pelo estudo, a atração por textos escritos para o público mais difícil – que é a criança, que é o ser humano em seus primeiros anos de vida. Ela aceitou esse desafio e nos brindou com um livro que tem conquistado as crianças deste Estado”, afirmou.

Por Isabella Cordeiro.

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