Funarte dá parecer contra festival por post antifascista

Festival de Jazz do Capão busca captação de recursos na Lei Rouanet

seg, 12/07/2021 - 12:57
Reprodução/Facebook Organização declarou que postagem não ataca governos Reprodução/Facebook

A Fundação Nacional de Artes (Funarte), ligada ao Ministério da Cidadania, emitiu um parecer técnico desfavorável a um projeto de captação na Lei Rouanet do Festival de Jazz do Capão por causa de uma postagem contra o fascismo e o preconceito. Trechos do parecer técnico foram divulgados pela organização do festival nas redes sociais. 

"No dia 01/06/2020, o Festival de Jazz do Capão decidiu se posicionar, na sua página do Facebook, a favor da Democracia e contra o Fascismo. Passado um ano, a referida postagem foi citada como motivo principal para que o nosso projeto de captação na Lei Rouanet tivesse um parecer desfavorável para a sua aprovação", critica o festival. “Não podemos aceitar o fascismo, o racismo e nenhuma forma de opressão e preconceito”, diz a publicação de 2020.

A organização destaca que a postagem não foi financiada com recursos públicos nem fez parte de divulgação oficial das atividades do festival. "Ela não ataca governos, instituições nem pessoas, pelo contrário, diz em sua descrição que não podemos aceitar o fascismo, o racismo e nenhuma forma de opressão e preconceito", declara.

Para a Funarte no parecer técnico, o pedido na Lei Rouanet deve ser recusado por desvio de objeto e risco à malversação do recurso público. Além do parecer negativo, chama a atenção o teor religioso no documento. 

Logo no início, o posicionamento técnico traz uma citação atribuída ao compositor Johann Sebastian Bach: "O objetivo e finalidade maior de toda música não deveria ser nenhum outro além da glória de Deus e a renovação da alma." Em outro trecho, o parecer declara que "a música pode ser vista como uma Arte Divina, onde as vozes em união se direcionam à Deus."

Nos comentários da publicação do Festival de Jazz do Capão, muitos internautas criticam o documento. "Isso é um absurdo", comenta Ivan Sacerdote, que é clarinetista e professor. "Inacreditável tamanha insensatez", escreve o músico Decio Pereira Silva Junior.

A Funarte foi procurada, mas não respondeu até a publicação da matéria.

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