Grupo de artistas lança a videodança 'Entranhas Marcas'

Performance do grupo será lançada no domingo (11), com acesso aberto ao público pela plataforma Vimeo

qua, 07/04/2021 - 18:21
Hugo Dubeux Videodança 'Entranhas Marcas' trata das agressões sofridas pelo corpo-mulher e pelo corpo-Terra Hugo Dubeux

Um grupo de mulheres artistas irá lançar no próximo domingo (11), às 20h, na plataforma digital Vimeo, a videodança Entranhas Marcas. Após a exibição gratuita do curta, às 20h30, haverá uma live entre as realizadoras no Instagram do projeto. Com direção colaborativa e criação conjunta, o elenco é composto pelas dançarinas e performers Drica Ayub, Isabela Severi e Silvia Góes.

A videodança escancara as cicatrizes, as marcas da violência incitada pelo sistema patriarcal e colonial que historicamente silencia, invisibiliza, fragmenta e poda o movimento das mulheres em suas mais intrínsecas relações sociais, políticas e afetivas. É sobre o corpo-mulher como reflexo das agressões também impressas na Mãe Terra, nas fontes naturais cada vez mais escassas pelas ações desse mesmo sistema capitalista que destrói, explora e chancela o desequilíbrio ambiental.

A performance é um desabafo, um grito, uma real necessidade de insurgência para a construção de novas possibilidades de mundos que entrelacem a existência humana, os corpos femininos e a natureza de forma mais harmônica. "Há tempos, vivemos uma conjuntura extremamente violenta, principalmente para nós mulheres, que muito se acentua com a pandemia e o contexto político. A cultura machista com sua lógica hegemônica e homogeneizante, nos rasga muitas cicatrizes que são riscadas nos corpos físico, emocional, mental e também espiritual", contextualiza Drica Ayub.

Mergulhando em estudos sobre o tema do trauma e das agressões humanas à Terra, as artistas explicam que desenvolveram a dramaturgia a partir de um olhar para dentro de si mesmas, quando se dispuseram a imergir, sentir e acessar as suas entranhadas marcas, assim como também na troca de experiências e na escuta de narrativas de amigas e alunas que relataram suas dores traumáticas. As sessões de investigação e criação da videodança aconteceram ainda paralelamente a um outro projeto de pesquisa que reunia, pela plataforma Zoom, um grupo de mulheres diversas.

Nesta jornada investigativa concomitante e paralela, o grupo realizou a gravação da performance com cenas no Engenho Pombal, situado no município de Vitória de Santo Antão, Zona da Mata de Pernambuco, e também na Praia de Xaréu, Cabo de Santo Agostinho, no Litoral Sul do Estado. O resultado da videodança se propõe a desbravar e escancarar as cicatrizes das mulheres e da Terra, em uma relação filosófica, epistemológica e brutalmente profunda.

*Da assessoria

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