Reprises fazem companhia e emocionam durante a quarentena

Conheça histórias de quem se emociona ao rever cenas do passado na TV

por Alex Dinarte qui, 21/05/2020 - 16:16
Divulgação / TV Globo Cena da novela "Fina Estampa" (Globo) Divulgação / TV Globo

A necessidade de permanecer em casa durante o período de pandemia e a suspensão das produções fez com que as emissoras de TV, seja aberta o paga, optassem por reapresentar seus sucessos e entreter aqueles que respeitam o isolamento social. Novelas recordistas de audiência, programas de auditório e disputas esportivas que marcaram época têm emocionado o telespectador que opta por reviver momentos memoráveis desses atrações.

Ocupada com o trabalho no período noturno, a gerente administrativa Maria Albertina da Silva, 44 anos, não tinha tempo para ver ou rever as telenovelas que sempre fizeram parte do lazer em casa. Afastada das atividades profissionais devido ao surto da Covid-19, agora ela aproveita parte do tempo para acompanhar às reprises. "A 'Fina Estampa' (Globo, 2011) foi uma das que mais me marcou. É uma novela divertida, que mostra uma mulher batalhadora e uma dondoca que se enfrentam por um amor. Gostei bastante", comenta ela, que ainda se emociona com alguns acontecimentos da trama de Aguinaldo Silva. "Dependendo da cena, a emoção é a mesma ou até mais forte, porque já sei o que vai acontecer e fico ansiosa para assistir de novo ao capítulo".

Além das reprises na grade aberta, Globo e Record TV também disponibilizam novelas antigas nos serviços de streaming.

Replay das vitórias

O ex-atleta do vôlei André Heller, 44 anos, é outro que se liga na programação da quarentena na telinha e aproveita para reviver as emoções das conquistas da carreira. "Me fez entrar num exercício contínuo de nostalgia, de saudade de rever grandes clássicos", observa.

Campeão olímpico nos Jogos de Atenas 2004 com a seleção brasileira, o então central do elenco comandado pelo técnico Bernardinho reuniu a família para acompanhar as reprises do caminho do ouro. "Tive a possibilidade de assistir pela primeira vez os jogos pela televisão, foi muito emocionante revisitar a minha jornada esportiva com toda a família, inclusive comendo pipoca", diverte-se. Segundo Heller, as lembranças da disputa na Grécia são as mais marcantes da trajetória que teve 17 conquistas pelo time principal do Brasil na modalidade. "Tudo faz parte de uma memória afetiva muito intensa para mim, mas com certeza a medalha de 2004 é o símbolo de toda a minha jornada esportiva", enfatiza.

O ex-atleta André Heller foi medalhista de ouro em 2004 com a seleção brasileira de vôlei | Foto: Benhur Sati

Mesmo sendo apreciador dos grandes confrontos esportivos, Heller ressalta que os únicos programas fora do roteiro televisivo são as derrotas. "São importantes, foram importantíssimas ao longo da carreira, mas assistir eu por enquanto não tive coragem", ressalta. O ex-atleta, que se formou em Gestão Aplicada do Esporte e há mais dez anos é palestrante, aponta que não é apenas nos esportes que a família Heller se apega nos momentos de isolamento social. Segundo o campeão olímpico, a audiência também vai para outras produções audiovisuais. "Gosto muito de um bom filme, de um bom documentário e esses têm sido os programas preferidos quando estou ligado na televisão", completa.

Sucesso de ontem e de hoje

Para o jornalista especializado em gestão estratégica de marketing, Higor Gonçalves, as emissoras de TV acertam em cheio ao disponibilizarem as reprises de programas e atrações históricas. Segundo Gonçalves, opções como as novelas mantém o público cativo, a boa audiência para o horário e o retorno para os anunciantes. "A escolha da Globo pela reprise de 'Fina Estampa' ilustra bem, pois tem forte apelo de comédia nesse momento delicado", aponta.

De acordo com o especialista, a Vênus Platinada foi certeira ao decidir pela reapresentação. "A novela cravou média de 32 pontos de audiência nos 32 primeiros capítulos, quatro pontos a mais na comparação com o mesmo período do ano passado e acima da inédita 'Amor de Mãe', que teve variação de 30,46 pontos entre novembro e março", sintetiza.

Ainda segundo o jornalista, o apelo também atende às memórias afetivas. "Parte das pessoas adora rever porque associam a momentos ou passagens importantes da própria vida", considera. Ele cita como exemplo o canal por assinatura Viva, do Grupo Globo, especializado em reprisar, há dez anos, programas como novelas, minisséries, seriados, humorísticos e de variedades. "O Viva é um dos líderes de audiência na TV por assinatura e uma grande evidência do interesse por reprises mesmo antes do período de isolamento social", completa.

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