Após decisão de Crivella, Prefeitura vistoria na Bienal

Objetivo da operação, realizada nesta sexta (6), era recolher livros considerados "impróprios"

por Paula Brasileiro sex, 06/09/2019 - 16:16
Reprodução/Instagram A operação não recolheu nenhum livro Reprodução/Instagram

A tarde desta sexta (6) foi de vistoria na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Após o prefeito da cidade, Marcelo Crivella determinar que o livro 'Vingadores, a cruzada das crianças' fosse recolhido por conter personagens gays, uma equipe da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) percorreu a mostra para identificar e lacrar livros considerados "impróprios". 

A operação contou com 10 funcionários e vistoriou os três pavilhões da bienal. Em entrevista ao jornal O Globo, o subsecretário operacional da Seop explicou a ação: "A Prefeitura tem poder de polícia para isso. Se o material não estiver seguindo as recomendações, ele será recolhido. Estamos seguindo a orientação da procuradoria da Prefeitura. Eu não entendo que haja censura. Se for material pornográfico, oferecido sem as normas, será recolhido". A operação foi encerrada às 14h e não recolheu nenhuma publicação.

Algumas editoras manifestaram repúdio à atitude da prefeitura e reagiram através das redes sociais. O Grupo Editorial Record, a Todavia, Companhia das Letras e Intrínseca se manifestaram. Em entrevista ao RJTV, a especialista em Direito Especial da Criança e do Adolescente Silvana do Monte, classificou a atitude da prefeitura do Rio de Janeiro como "censura": "Quero crer que a Constituição ainda seja válida. Lá diz, textualmente, que acabou a censura no Brasil. Uma decisão como essa precisa ser tomada por via judicial ou por decreto, mas de toda forma é totalmente equivocada. É censura. O prefeito governa para uma cidade inteira, e não para uma parcela da população que compactua das crenças dele". 

COMENTÁRIOS dos leitores