Feira do livro, em Belém, celebra vozes da Amazônia

Debates sobre diversidade e meio ambiente e homenagens ao poetas João de Jesus Paes Loureiro e à pesquisadora e ativista negra Zélia Amador de Deus estão na pauta do evento

seg, 26/08/2019 - 16:24
Divulgação/Secult Feira homenageia escritores e abre espaço para as multivozes da Amazônia Divulgação/Secult

A cidade de Belém está mergulhada no universo dos livros e da cultura. Começou no último sábado (24) a 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, no Hangar Centro de Convenções da Amazônia. Os homenageados são o escritor, poeta e pesquisador João de Jesus Paes Loureiro e a pesquisadora e ativista do movimento negro Zélia Amador de Deus. 

Segundo a Secretária de Estado de Cultura (Secult), mais de 400 mil pessoas devem visitar a feira, até o dia 1º de setembro. "Nesse momento em que os olhos do mundo estão voltados para Amazônia por causa dessa grave crise ambiental, nós vamos discutir as vozes que problematizam essa região. Vamos trazer pra cá esses povos originários de comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ribeirinhos. Vamos dar destaques pra produção literária com os autores paraenses”, disse Úrsula Vidal, secretária estadual de Cultura.

A feira tem 207 estandes e uma programação cultural diversificada, voltada para a produção regional. Para a Secult, a 23ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes cria novos mecanismos de diálogo e relacionamento, para melhor interagir com a rica diversidade sociocultural paraense. A feira está aberta das 10 às 22 horas, com entrada franca em todos os eventos.

"O amor pela Amazônia, nesta feira, provoca uma reunião entre o autor, o livro e o leitor. É isso que me encanta em uma feira como essa, em uma época como essa. Só que eu estou na Amazônia, e a Amazônia não está feliz. E apesar de minha felicidade individual pela homenagem, careço da felicidade coletiva desta Amazônia que arde em chamas, abandono e desespero de um povo que minha poesia sempre defendeu pela liberdade, grandeza e respeito", discursou o poeta Paes Loureiro. 

"A todos que trazem a marca da diversidade diminuída pela diferença no próprio corpo. A homenagem é coletiva, nunca individual, com todos aqueles e aquelas considerados os interditos da diferença transformada em desigualdade. Que a Amazônia consiga se recuperar e que tenhamos uma sociedade democrática, utopia da qual nunca abrirei mão", destacou Zélia Amador.

Na abertura, o governador Helder Barbalho assinou, junto com o presidente da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), Jorge Panzera, o decreto que cria a Política Pública de Edições e Publicações do Estado do Pará para livros, revistas, cartilhas, jornais e e-books. Helder também entregou cartões do Credlivro servidores públicos, totalizando um investimento de cerca de R$ 3 milhões. 

Presidente do Conselho Editorial do Senado Federal, o senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, participou da cerimônia e se disse pessoalmente fã de Zélia Amador e Paes Loureiro. "Quem tem que declarar amor à Amazônia, primeiramente, somos nós. Por isso essa feira é simbólica nesse sentido. Em momentos de ódio, essa feira é proclamação do amor", elogiou.

Com informações da Agência Pará.

 

 

COMENTÁRIOS dos leitores