No Cine PE, Drica Moraes e Renato Góes criticam governo

A vigésima terceira edição do festival foi marcada por mensagens de resiliência e protestos

por Waleska Andrade seg, 05/08/2019 - 08:41
Divulgação Drica Moraes, homenageada do Cine PE Divulgação

Com os recentes ataques à Agência Nacional do Cinema (Ancine), era até difícil imaginar um festival com um alcance tão grande como o Cine PE não ser palco de inúmeras mensagens de resiliência e protesto. Não houve, na noite deste sábado (3), um representante de um filme que não tenha criticado o desejo do chefe do Executivo de extinguir a Ancine.

Drica Moraes, que foi homenageada do festival e recebeu o troféu Calunga de Ouro, maior honraria do festival, encerrou seu discurso de agradecimento falando sobre o atual cenário político do país. “Pra finalizar, não dá pra gente não falar do Brasil, porque a gente sabe que vivemos tempos horrorosos. O governo trabalha incessantemente no incentivo de descredibilizar e demonizar qualquer atividade ligada à cultura e arte, de modo geral, mas nós também podemos dizer que iremos continuar a fazer os nossos filmes”, disparou a carioca, que foi aplaudida pelo público.

Renato Góes, presente no evento para o lançamento de seu novo filme “O Corpo é Nosso!”, de Theresa Jessouroun, também fez uma crítica ferrenha à política atual. “Eu quero agradecer ao festival, porque qualquer iniciativa de cultura, hoje, é resistência! Eu espero que a gente não desista, que a gente não perca a força e a vontade. Não vamos confundir educação, religião e cultura com política”. Góes, que é pernambucano e recebeu o Calunga de Melhor Ator Coadjuvante em 2016 pelo seu papel em “Por Trás do Céu”, de Caio Sóh, foi igualmente ovacionado pela plateia, que por mais uma noite lotou o Cinema São Luiz. Jessouroun, diretora do longa, também expressou sua opinião sobre o assunto e deu uma breve aula sobre o fundo setorial. “Fazer arte é um ato político”, protestou a cineasta.

Guilherme Folly, diretor do documentário em curta-metragem “Pogrom” também arrancou aplausos do público. “Meu filme tenta analisar os últimos acontecimentos do país, principalmente os de 2018, as eleições presidenciais, para tentar entender o que faz a sociedade civil brasileira e seus políticos reverberarem discursos autoritários, fascistas e tão desumanos”, explicou o cineasta. “Pogrom” foi o último curta exibido durante a 23ª edição do Cine PE, que anuncia na noite deste domingo (4) os vencedores em todas as categorias concorrentes das mostras competitivas de curtas-metragens pernambucanos e nacionais, além de longas-metragens.

Com Informações da Assessoria

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