Família de menino sírio fotografado morto se opõe a filme

Imagem provocou revolta na Europa e levou a União Europeia a abrir, por algum tempo, suas fronteiras para refugiados sírios

sab, 29/06/2019 - 17:48
ANNE-CHRISTINE POUJOULAT Foto de arquivo do menino sírio que morreu afogado, Aylan Kurdi, durante manifestação de apoio a migrantes e refugiados em MArselha, França, em 13 de setembro de 2015 ANNE-CHRISTINE POUJOULAT

A família de Aylan Kurdi, menino sírio fotografado sem vida em uma praia turca, que se tornou um símbolo trágico da crise migratória na Europa em 2015, se opôs a um filme sobre a criança, filmada sem seu consentimento.

"Meu coração está partido (...) Isto é inaceitável", disse a tia do menino, Tima Kurdi, à emissora CBC, de Port Coquitlam, perto de Vancouver, no oeste do Canadá.

O corpo do menino foi fotografado deitado com o rosto na areia de uma praia da Turquia. Vários integrantes de sua família morreram tentando chegar a uma ilha grega.

A foto provocou revolta na Europa e levou a União Europeia a abrir, por algum tempo, suas fronteiras para refugiados sírios.

O filme, chamado "Aylan Baby: o mar da morte", que tem o ator americano Steven Seagal no elenco, está sendo filmado na Turquia, disse a CBC. O diretor Omer Sarikaya publicou o anúncio do longa em suas redes sociais.

De acordo com Kurdi, ninguém pediu autorização à família. Ela ficou sabendo do filme pelo pai do menino, Abdullah Kurdi, que vive no Iraque.

"Ele me ligou, e estava chorando também. Ele disse: 'Não posso acreditar que alguém já está fazendo um filme. Não posso nem imaginar que meu filho morto, com 2 anos, não sabia nem falar, como se estivesse vivo" em um filme, relatou Kurdi.

A tia de Aylan, que publicou um livro chamado "O menino na praia", disse que a família tinha recusado várias ofertas de produtoras de filmes.

O diretor afirmou à CBC que o tema de seu filme, embora se assemelhe à história da família Kurdi, se concentrou na crise de refugiados em seu conjunto. "Será Aylan Baby, não Aylan Kurdi", respondeu.

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