Diretora afirma ter sofrido preconceito no Cine PE

Abordando um filme sobre o racismo sofrido por mulheres negras, Day Rodrigues afirmou que o festival foi preconceituoso ao não colocar seu nome como uma das realizadoras da obra

por Roberta Patu sab, 01/07/2017 - 00:12
Chico Peixoto/LeiaJáImagens Day Rodrigues defendeu a importância de resistir o preconceito Chico Peixoto/LeiaJáImagens

A noite desta sexta-feira (30), no quarto dia de exibição de filmes no Cine PE, foi marcada por indgnação e defesa ao respeito da mulher negra. Apresentando o filme ‘Mulheres negras: projetos de mundo’ - o mais aplaudido da noite, a diretora Day Rodrigues  criticou e destacou o seu descontetamento por ter sofrido preconceito no festival.

Antes de apresentar o documentário, a diretora do filme exaltou que foi surpreendida quando viu que seu nome não estava como um dos realizadores do filme, que conta também com a parceria de Lucas Ogasawara. Emocionada, Day apontou que esse fato é mais uma prova do preconceito sofrido pelas mulheres negras, que, na maioria das vezes, são colocadas à margem de uma sociedade considerada hegemônica.

“Fui surpreendida quando não vi o meu nome como diretora do filme. Isso aconteceu porque a sociedade acredita que quem só pode fazer filme é homem, branco e com poder aquisitivo. Não colocaram o meu nome, porque sou mulher, sou negra”, registrou defendendo a importância de falar, defender e resistir. Em resposta, o festival pediu desculpas, logo após o seu posicionamento, alegando o ato como um erro. Logo em seguida começou a exibição do trabalho.

O documentário de Day Rodrigues chamou atenção do público e foi o mais aplaudido da noite, desbancando, inclusive, o longa ‘O assassino da Gávea’ - do roteirista Marcílio Moraes, que escreveu também ‘Roque Santero’, ‘As noivas de Copacabana’ e ‘Mandala’ . Abordando às questões relacionadas à situação das mulheres negras, o filme reuniu depoimentos de mulheres com relatos tocantes.

Situações, críticas e ataques às mulheres negras foram externados com histórias impressionantes que emocionaram em diversos momentos. E, acima de todos os problemas, o filme trouxe a resistência pela luta do reconhecimento da identidade, do respeito e da defesa do diálogo igualitário, sem racismo, machismo e misoginia.

Destacando essa luta, as entrevistadas entonaram um posicionamento de protagonismo, no qual elas defenderam, durante todo o documentário, a defesa do amor, através da resistência. Foi com essa perspectiva e riqueza de relatos emotivos que o filme foi o mais aplaudido da noite e gritos de apoio à luta. 

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