Além da Escuridão mantém a saga Jornada nas Estrelas

O filme retrata a continuação da conturbada relação entre James Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto)

por Bernardo Queiroz sex, 14/06/2013 - 19:09

Além da escuridão um subtítulo irônico para a franquia Jornada das Estrelas. Recriada do zero em 2009 para uma geração que só conhecia o material pelos dvd's velhos na prateleira dos pais, Jornada Nas Estrelas - Além da escuridão é um estranho caso de um material de nicho que virou mainstream, e com isso, perdeu um pouco do seu fio. Depois uma longa espera de material decente com a franquia, a contratação do deus-nerd J.J. Abrams (Lost, Fringe) deu nova vida a um material que durante bastante tempo foi associado ao medíocre. Mas a mesma força que abençoa também pode ser o início da (nova) queda.



O filme retrata a continuação da conturbada relação entre James Kirk (Chris Pine) e Spock (Zachary Quinto), onde o primeiro mantém sua atitude de sou-legal-demais-para-ter-limites e o segundo mantém sua fria e cruel aproximação lógica de problemas. O melindre é posto de lado quando o terrorista Khan (Benedict Cumberbatch) ameaça o alto comando da Federação, encarnada pelo agora almirante Pike, que fomos apresentados no primeiro filme, e acima de tudo, o Grande Almirante Marcus (Peter Weller).

Entre os personagens não-protagonistas, Cumberbatch mantém a fleuma esquisita que lhe rendeu a melhor encarnação de Sherlock Holmes em quase dez anos, e Weller, nosso eterno Ex-Robocop, mostra a presença de cena que lhe valeu uma encarnação de Batman. Se os protagonistas não impressionam e não surpreendem, cabem aos coadjuvantes o papel de mover a trama, já que Kirk e Spock parecem ficar eternamente no mesmo ciclo de diferença-conflito-resolução. Mais do mesmo.



O trabalho de fotografia de Abrams junto com Dan Mindel ( Missão Impossível 3, Inimigo do Estado) mantém uma das poucas representações de um futuro que deu certo em tempos recentes no cinema: São ambientes claros e limpos, mesmo quando ocorrem em lugares não-tão desenvolvidos. As sequências de diálogo são praticamente jogadas em cenas de ação grandiosas e bem adequadas para um cinemascope tão largo. Claramente, Abrahms fez o dever de casa em suas cenas de ação quando dirigiu Missão Impossível 3 e fez o roteiro do Missão Impossível - Protocolo Fantasma, e este conhecimento é aplicado com eficiência em Além da Escuridão. E os já característicos usos de lentes-estrela em excesso continua deixando certas sequências simples difíceis de ver, já que literalmente, qualquer superfície luminosa ofusca mais do que iluminação de boate.



O ritmo da história é rápido, o que faz com que as quase duas horas e vinte minutos de filme se esvaiam sem grande problema, e é fácil empatizar com os personagens, muito mais pela presença dos atores do que por alguma agudeza do diálogo. E certamente, para os fãs da série original, existem dezenas de referências, inclusive com uma inversão de uma famosa cena dramática que marcou o Kirk original (William Shatner) na memória da mídia mundial.

Tudo feito com bastante competência técnica e com agilidade suficiente para que o roteiro com buracos do tamanho de um cruzador se realize sem que grandes catástrofes ocorram com a história, uma fórmula que tem literalmente pago bastante. O primeiro Jornada dirigido por Abrahms arrecadou mais de 257 milhões de dólares, e este deve ir mais longe.

Talvez a única maldição é o excesso de sucesso, já que Abrahms foi contratado como o novo responsável pela franquia Star Wars, a maior mina de ouro da cultura Geek/Pop desde que Michael Jackson passou desta para melhor. Assim, é certo que a continuação não terá a mão bastante característica de Abrahms como diretor. Se a história continuar na mesmice, a ausência do capitão em viagens futuras pode ser a causa de um tremendo motim...

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