Magno Martins

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Política Diária

Perfil:Graduado em Jornalismo pela Unicap e com pós-graduação em Ciências Políticas, possui 30 anos de carreira e já atuou em veículos como O Globo, Correio Braziliense, Jornal de Brasília, Diário de Pernambuco e Folha de Pernambuco. Foi secretário de Imprensa de Pernambuco e presidiu o comitê de Imprensa da Câmara dos Deputados. É fundador e diretor-presidente do Blog do Magno e do Programa Frente a Frente.

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Sem propina, 110 mil casas seriam feitas

Magno Martinsseg, 17/04/2017 - 09:24

Os números do maior escândalo da República são assustadores. O ex-diretor do setor de operações estruturadas da Odebrecht, Hilberto Mascarenhas, disse, em delação premiada, que a área criada dentro da empreiteira para fazer o pagamento de propinas movimentou mais de R$ 10,6 bilhões entre os anos de 2006 e 2014. Ao Ministério Público Federal (MPF), Mascarenhas informou que os recursos eram movimentados em contas offshores no exterior (paraísos fiscais).

Só ao ex-presidente Lula, o chefe da quadrilha, aquele que se diz a alma mais honesta do planeta terra, foram entregues em mão R$ 40 milhões. “A gente botou 40 milhões de reais para atender as demandas que viessem do Lula”, disse Marcelo no primeiro vídeo liberado, referindo-se à conta “Amigo”, assim batizada em função da amizade do petista com seu pai, Emílio Odebrecht.

O empresário também relatou os dois casos em que “ficou claro que (o dinheiro) era para Lula”: na compra de um terreno para o Instituto Lula (por R$ 12,4 milhões) e na doação (de R$ 4 milhões) para a mesma entidade. No segundo vídeo, Marcelo fala de outros 40: “No caso específico dessa negociação, 2009 e 2010, até acho [que era] porque estava se aproximando a eleição, veio o pedido solicitado pra mim por Paulo Bernardo na época, que veio por indicação do presidente Lula, para que a gente desse uma contribuição de 40 milhões de dólares e eles estariam fazendo a aprovação de uma linha [de crédito] de 1 bilhão de dólares”.

E acrescenta: “Como o dinheiro teria origem em negócios em Angola, Marcelo conseguiu com a cúpula petista descontar 10% do valor, referentes ao custo da operação para transferir a cifra para o Brasil. Convertido ao câmbio da época, o repasse acabou sendo de 64 milhões de reais”.

Os gatunos roubaram o equivalente a mais de um terço do custo anual do programa Bolsa-Família, orçado hoje em R$ 26 milhões. Tiraram, na prática, o pão da mesa de 14 milhões de miseráveis, que recebem em média R$ 136 de ajuda mensal. Se, em outra ponta, os R$ 10,6 bilhões fossem usados no programa Minha Casa, Minha Vida em cidades do Nordeste com menos de 50 mil habitantes, que tem um custo em média de R$ 90 mil, teriam sido feitas 110 mil unidades.

O ex-executivo disse que alertou ao então presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, sobre os valores pagos em propina, que, segundo ele, estavam muito altos. "Estava preocupado, muita gente participando das obras, e pressionei. Fui a Marcelo [Odebrecht], várias vezes, e disse: não tem condição, US$ 730 milhões é bilhão [em reais]. Nem um mercado tem essa disponibilidade de dinheiro por fora e não tem como operar isso. É suicídio", afirmou. Segundo ele, como resposta, Marcelo Odebrecht deu orientação de "segurar".

Enquanto eles, chefiados por Lula, a “alma mais honesta”, o “pai dos pobres”, dividiam o dinheiro meu, seu, nosso, do povo brasileiro, 12 milhões de trabalhadores eram jogados na rua da amargura, perdendo seus empregos e a esperança, obrigados a viver de biscates ou na marginalidade. Infelizmente, este é o verdadeiro legado dos governos petistas, responsáveis pelo maior assalto aos cofres públicos da história.

O CUSTO LULA– Os delatores da Odebrecht relataram à Procuradoria-Geral da República que a empreiteira teria custeado despesas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os colaboradores falaram das reformas do sítio de Atibaia, no interior de São Paulo, da aquisição de imóveis para o uso pessoal e instalação do Instituto Lula, além do pagamento por palestras do petista. Segundo o Ministério Público, as condutas “poderiam funcionar como retribuição a favorecimento da companhia”. As acusações foram feitas por oito delatores, entre eles Emilio Odebrecht e Marcelo Odebrecht, pai e filho.

Dedo na ferida– Na ampla reportagem da Folha de São Paulo de ontem, apontando Pernambuco como território do faroeste, o professor José Luiz Ratton, um dos idealizadores do Pacto pela Vida, mete mão na ferida: “O Pacto perdeu força por não conseguir manter a integração das polícias, melhorar o precário sistema prisional nem fomentar projetos de prevenção duradouros. Muitos dos avanços, como os bônus para policiais, não têm força de lei”, avaliou.

Origem da violência– Ainda sobre a reportagem do jornal paulista impressiona, igualmente, o depoimento de um morador do bairro da Várzea sobre o descontrole no tráfico de drogas: "Aqui tem dois grupos [de traficantes]. É uma diferença de duas ruas entre um e outro. Um cabra chamado 'Cabelo' falou que mataria todos que entrassem no ponto dele para vender. Matou um, matou dois. Aí foram lá e revidaram. Já são sete mortos". Ratton, que pesquisa o mercado de drogas no Recife, diz que usuários de crack, por exemplo, vendem a pedra para pagar dívidas. Viciados, usam a mercadoria que deveriam repassar e acabam mortos por traficantes.

De volta ao batente– O prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), retornou sexta-feira passada de viagem ao Vaticano, onde apresentou à cúpula da Igreja Católica a plataforma de voluntariado Transforma Recife e a incubadora de projetos sociais Porto Social. Na quarta-feira (12), teve audiência com o Papa Francisco, que recebeu das suas mãos um material com os detalhes do Transforma Recife, que ganhou elogios do Sumo Pontífice. Ele também presenteou o Papa com uma imagem da padroeira do Recife, Nossa Senhora do Carmo, confeccionada pelo artista plástico Nivaldo Santeiro. “O Sumo Pontífice é inspirador, tem levado a paz ao mundo inteiro. Tem pregado isso, o cuidado com os pobres”, afirmou.

Oposição bate duro– Em nota da bancada da oposição, o líder Silvio Costa Filho (PRB) contabiliza mais de 1,6 mil assassinatos nos primeiros 100 dias do ano, num crescimento de mais de 35% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 1.181 mortes. Até o último dia 10 de abril, foram registrados 1.650 homicídios em todo o Estado. “Infelizmente, essa é a realidade enfrentada pelos pernambucanos hoje. Entra secretário, sai secretário; entra comandante, sai comandante e a violência continua aumentando. Há seis meses no cargo, o secretário Ângelo Gioia não conseguiu reduzir os índices de criminalidade. Muito pelo contrário, sob o seu comando a SDS registrou mais de 2,9 mil assassinatos em Pernambuco, uma média de quase 500 mortes por mês”, desabafou.

CURTAS

COMPAZ– O Compaz Ariano Suassuna, no Cordeiro, começa, hoje, a prestar uma série de serviços à população. Após passar por um período de cadastramento, o equipamento começa a oferecer os serviços de Junta Militar, Atendimento à Mulher, Procon, Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem de Conflitos, Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), Sala do Empreendedor e Atendimento Psicológico. Amanhã, serão iniciados os atendimentos no ProUni Recife e o Emprego e Renda nos Bairros.

CONFLITO – Um conflito entre integrantes de facções rivais do Presídio Juiz Antônio Luís Lins de Barros, uma das unidades prisionais do Complexo Prisional do Curado, durante a manhã de ontem, deixou cinco feridos e revelou, de novo, a presença de arma de fogo dentre os detentos. A Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres) confirmou o incidente, que ocorreu às 7h30, pouco antes de começar a visitação.

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