Diego Rocha

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Cultura Nerd

Perfil: Publicitário de formação, mestre em Design, entusiasta da Estética. Professor universitário, fashion-geek, zen-gamer e aficcionado por séries de tv, quadrinhos e cinema de ficção.

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Complexo de Pigmalião

Diego Rochasex, 11/09/2015 - 10:24

Ao longo da história da arte, um dos principais motivos da obra é a expressão do sentimento do ser humano, e como certos sentimentos são constantes, como o sentimento do artista ao tentar criar algo à imagem da sua própria humanidade... essa busca muitas vezes se aproxima do complexo de Deus (absorver a noção de ser capaz de criar vida à sua própria imagem), mas diferente da história do Dr. Frankenstein (caso clássico do complexo de Deus) muitas histórias que se baseiam em artistas (e não em cientistas) tem como motivação para essa luta de criar vida não o poder da criação, mas uma busca muito mais sentimental... afetiva.

O primeiro caso (ou um dos mais antigos) aparece na Grécia antiga na figura de Pigmalião, um grande escultor que construiu a estátua da mulher perfeita, a ponto de se apaixonar por ela. Sentindo pena dele, Afrodite (deusa do amor) deu vida à sua escultura para que pudessem viver esse amor. Essa história entra para o estudo da psicologia como a situação em que o criador se apaixona pela sua criatura, ou quando o criador foge das pessoas e busca criar algo com o que se relacionar.

Na cultura pop vários casos como esse aparecem, então vamos dar uma olhada em alguns casos:

1) Blade Runner (1982)


O filme nos apresenta um futuro não muito distante (2019 para ser mais preciso) onde robôs chamados "replicantes", robôs feitos para ser indiferenciáveis de um ser humano... tão semelhantes que apenas pelas sutilezas de testes psicológicos profundos. Entre os replicantes, cada um é construído com o objetivo de executar tarefas específicas, e uma das tarefas é o de entreter o sexo oposto. A personagem Pris é um exemplo de uma construção humanizada desenvolvida para fins de relacionamento.

2) Chobits (2002)

A proposta desse anime é uma sociedade onde as pessoas podem comprar "persocons", redução de "personal computers", que são basicamente eletrodomésticos em formato humano com o potencial de computadores de grande performance para cumprir as ordens e tarefas dos seus mestres. O personagem principal desse desenho, o jovem Hideki, encontra a persocon Chii e acaba por .se apaixonar por ela à medida que ambos, juntos, desenvolvem a compreensão de mundo dela.

3) Inteligência Artificial (2001)

Num futuro em que a robótica avançou o suficiente para que robôs humanóides sejam disponíveis para compra de qualquer pessoa. A história principal do filme é sobre um robô em forma de menino que foi comprado por uma família para lidar com a perda do seu próprio filho que estava doente, mas quando o menino acorda a família não tem mais lugar para o robozinho. Um outro personagem marcante do filme foi interpretado por Jude Law, um robô criado para fins de prostituição desenvolvido para simular todas as reações sensíveis e humanas.

E caso você esteja se perguntando, aquela imagem do Pinocchio lá em cima representa uma das constantes mais importantes das histórias sobre laços emocionais entre criadores e criaturas: a esperança de transcender a condição de "boneco" e se tornar uma pessoa... afinal, o que faz alguém ser uma pessoa? No conto de Pinocchio, suas boas ações fazem dele uma criança de verdade, e afinal de contas o que é ser humano se não nos comportarmos e reagirmos como seres humanos?

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