Fernando Braga

Fernando Braga

Direto do Planalto

Perfil: Fernando Braga é comunicólogo e professor universitário em Brasília. Mestre em Memória Social, especialista em Marketing e em Metodologia do Ensino Superior é titular de colunas em jornais de Brasília e Flórida (EUA)

Os Blogs Parceiros e Colunistas do Portal LeiaJa.com são formados por autores convidados pelo domínio notável das mais diversas áreas de conhecimento. Todos as publicações são de inteira responsabilidade de seus autores, da mesma forma que os comentários feitos pelos internautas.

Milagre econômico de Dilma

Fernando Bragaqua, 17/04/2013 - 19:07

Em mais um evento da campanha para permanecer na Presidência da República, a presidente Dilma Rousseff esteve, no último dia 12, em encontro com empresários – apoio financeiro - e prefeitos – apoio político / votos - do Rio Grande do Sul, onde prometeu dobrar a renda per capita dos brasileiros no revolucionário prazo de nove anos. Mesmo mantendo a atual taxa de crescimento populacional, inferior a 1% ao ano, o Brasil precisa reverter radicalmente suas taxas de crescimento econômico nesse período para chegar próximo aos índices pretendidos pela presidente. No ano passado, o País praticamente não cresceu economicamente. Enquanto a população se expandia a taxa de 0,8%, o crescimento econômico amargou 0,9% de expansão, com o setor agropecuário caindo 2,3% e a indústria, também com resultado negativo, menos 0,8%.

Apesar do discurso oficial triunfalista, alcançamos a menor taxa dentre os países do Brics: Brasil 0,9%, Rússia 3,6%, Índia 4,5% e África do Sul 4,5%. A média alcançada pelos países desenvolvidos, os que mais estão sofrendo com a atual crise financeira, também foi superior à brasileira, 1,3%. O mesmo se registrando entre os países considerados economias emergentes, que chegaram ao crescimento de 5,1%, segundo dados do Fundo Monetário Internacional – FMI. No ano passado, inclusive, o Brasil perdeu uma posição no ranking das dez maiores economias mundiais. Estávamos em sexto lugar, mas cedemos essa posição para a Grã-Bretanha e, agora, estamos em sétimo.

“O ponto central para a retomada do desenvolvimento que leve o Brasil a crescer de 4% a 6% ao ano é uma mudança radical no ambiente para investimentos”, considerou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG). “Isso implica em uma série de alterações conjugadas: queda da carga tributária, ampliação da participação de capitais privados na infraestrutura, profissionalização da gestão das estatais e agências regulatórias, respeito a contratos e transparência nas contas públicas, medidas mais universais e menos pontuais, menos intervencionismo e expansão das despesas correntes, maior integração internacional. Alguma coisa está fora da ordem. A raquítica taxa de crescimento do PIB de apenas 0,9% é só a ponta do iceberg. A taxa média dos dois anos do governo Dilma ficou em 1,8%, muito menos que os primeiros anos de Itamar Franco, Fernando Henrique e Lula. A primeira tentação é atribuir o fraco desempenho à crise mundial, mas está claro que a crise se abateu mais sobre as economias da Europa e dos Estados Unidos. Em 2012, diversos países emergentes tiveram desempenho infinitamente superior ao Brasil, descartandoesse argumento.”

Resta aguardar quais medidas serão tomadas pelo governo nos próximos dias para incentivar o crescimento econômico e reaquecer o PIB. Essas providências deverão ser associadas a ações urgentes para barrar a atual onda inflacionária. Elevação das taxas de juros barram o consumo que, por sua vez, contém a disparada dos preços. Maior abertura às importações igualmente, porque trazem os produtos escassos e, em consequência, com preços elevados. Mas são medidas que se voltam contra a outra política, que é a da retomada do crescimento. O jogo do Brasil aproxima-se do cheque-mate.

COMENTÁRIOS dos leitores