No dia dos namorados, saiba a importância do Romantismo para a prova do Enem

Veja as principais características da escola literária e sua importância para o Enem.

No dia dos namorados, saiba a importância do Romantismo para a prova do Enem

Foto: Freepik

O dia dos namorados é comemorado no dia 12 de junho no Brasil, às vésperas do dia de Santo Antônio, popularmente conhecido como Santo Casamenteiro. A comemoração do dia do amor ocorre nesta data no território brasileiro desde 1948.

Visando uma comparação entre o amor romântico atual e o movimento do Romantismo, conteúdo programado para estar presente no  Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o LeiaJá conversou com o professor de língua portuguesa Glauco Cazé, que destacou as principais características e fases da escola literária em questão. Além de apontar a importância do conteúdo para o Enem.

Origem do Romantismo

O facilitador inicia comentando que “é sempre importante para o estudante que está se preparando para o Enem relembrar aspectos dessa fase do século XIX, que é chamada de Romantismo. Ele inaugura um sentimento de individualismo e de referências amorosas, que ora apontam para esse amor passional, ora apontam para registros mais egocêntricos na relação entre os namorados. É o período da nossa literatura que inaugura um momento que é marcado pela vontade de viver intensamente sobre o signo da paixão.”

Nascido na Alemanha, o romantismo propõe um movimento mais direcionado às emoções, que seja contrário àquele período de razão, de racionalidade, de objetividade do século XVIII, que era o século das luzes do Iluminismo. “ A ideia agora é que os textos literários, a arte de maneira geral, passe por esse filtro da emoção para que se tenha sentido o que se diz, o que se escreve, o que se pensa, o que se pinta e não fique nesta razoabilidade do saber objetivo”, aponta Cazé.

‘Os Sofrimentos do Jovem Werther’ do alemão Johann Goethe é uma das obras que marcam essa origem do Romantismo, inaugurando esse sentimento da explosão sentimental, de viver exageradamente para os aspectos do coração e da emoção.

Depois da Alemanha, a Inglaterra é importante também com o George Gordon Byron, que vai propor uma literatura também muito associada a este exagero sentimental, porém puxando um pouco para o mórbido e para o obscuro. “A França também tem participação significativa, visto que colabora com os escritos de René Chateaubriand e pelo sentimento de independência e de liberdade, que vai contaminar também os apaixonados do século XIX”, afirma. 

Fases do Romantismo

Para quem está se preparando para o Enem, esta é uma estética literária importantíssima. Na verdade, junto com o modernismo, o romantismo costuma aparecer com muita frequência na prova de linguagens. E o que é importante recordar para se fazer uma boa prova e ter um domínio mínimo dessa corrente literária?

Primeira fase

O professor explica a importância de fazer a distinção entre as três principais fases dessa poesia romântica do século XIX. “O amor é visto de maneira diferenciada em cada uma dessas fases. Por exemplo, a primeira fase é muito marcada por uma poesia de relações amorosas que não se realizam, são um tanto frustradas, não realizadas, porém não no sentido de serem relações utópicas, porque elas são possíveis, mas elas são desiludidas, acabam não se concretizando. Então há um sentimento ali um tanto de tristeza e de incompletude, sentimentos perceptíveis na poesia, por exemplo, do Gonçalves Dias, que é o representante talvez mais significativo dessa primeira fase”, sinaliza o instrutor.

Esse primeiro momento é fortemente marcado por traços nacionalistas, preocupado com os símbolos nacionais, com o fortalecimento da identidade nacional e indianistas. Esse último aponta José de Alencar como um dos principais nomes dessa fase, principalmente por seus romances: ‘O Guarani’ (1857), ‘Iracema’ (1865) e ‘Ubirajara’ (1874), conhecidos como trilogia indianista.

Segunda fase

Já a segunda fase é diferente do momento inicial, pois carrega uma temática mais mórbida, exagerada e passional. Neste segundo ciclo, os poetas são super românticos, ultra-exagerados nessa relação sentimental e amorosa. Eles defendem que o amor é um sentimento tão puro, sublime e especial, que só pode ser efetivamente realizado depois da morte dos apaixonados. 

“Então, a relação entre pessoas apaixonadas fica no campo do discurso, no campo da vontade, no campo da idealização, a palavra é essa, muito mais forte, no campo da idealização, porque, na verdade, eles não ousam tocar o corpo do amado, da amada, para que isso não macule, para que isso não prejudique esse sentimento amoroso”, dispara o mentor. 

Logo, a principal característica dessa fase do romantismo brasileiro é a evasão da realidade, o tédio, a melancolia, a noite, a perda de sentido da vida, o pessimismo, a idealização do amor e da mulher, e a solidão, expressos na forma de um individualismo exacerbado. Nesta fase Álvares de Azevedo foi um dos grandes nomes.

Terceira fase

Sobre a terceira e última fase o perito literário aponta, “Na terceira fase, a gente já tem um comportamento completamente diferente. Já é um amor possível de ser realizado, é um amor de liberação carnal, inclusive com algumas sensualidades e, em alguns momentos, com uma referência quase erotizada na poesia, por exemplo, de Castro Alves”. É uma fase um pouco mais social, relacionada a questões de abolicionismo, com ideais de liberdade e igualdade.

nesse sentido, é importante que o estudante relacione todas as características, diferenças e similitudes entre os períodos poéticos e a narrativa romântica deste assunto que está sempre presente no exame.