Dia do Tatuador é celebrado nesta terça-feira

Tatuadora revela os desafios enfrentados na profissão

por Rafael Sales ter, 20/07/2021 - 19:36
Arquivo pessoal Rebeca Kuniyoshi atua como tatuadora Arquivo pessoal

Nesta terça-feira (20), é celebrado o Dia do Tatuador. A técnica em fazer tatuagem é uma arte milenar, e se popularizou com a invenção da máquina elétrica de tatuar em 1891.

A técnica se popularizou em diversos setores da sociedade civil, e serve como ofício para milhares de pessoas. De acordo com Organização Internacional do Trabalho (OIT), dentre todos os profissionais que atuam no ramo da tatuagem no Brasil, 45% são mulheres. É o caso de Rebeca Kuniyoshi, 23 anos, CEO do estúdio Bloody Blossom, situado em São Paulo, que abriu seu negócio em plena pandemia da Covid-19, com ajuda de uma “vaquinha” na internet para conseguir comprar os materiais necessários.

“Foi uma loucura enorme, porque eu já estava sem emprego. Muitas pessoas já conheciam as minhas ilustrações, porque eu já trabalhei em vários locais como ilustradora”, conta. Rebeca relembra que algumas dessas pessoas foram as responsáveis por incentivá-la a entrar no ofício, e chegavam a questioná-la o porquê de ela não trabalhar com tatuagem.

A história da tatuadora na profissão começou quando ela tinha cerca de 15 anos, idade em que fez sua primeira tatuagem, e chegou a pensar: “Eu quero trabalhar com isso”. Agora com o estúdio, Rebeca relata que a maior dificuldade está sendo trabalhar em meio à pandemia. “Infelizmente, como tatuadora, eu preciso trabalhar em cima do cliente. Não tem como ter um distanciamento social”, explica.

A tatuadora conta que, normalmente, um procedimento para fazer uma tatuagem exige cuidados necessários, conhecidos como “biossegurança”, e no momento de pandemia, todos os cuidados que já eram aplicados, agora são feitos em dobro.

Preconceito por ser mulher

Rebeca relembra que em dado momento já foi vítima de machismo, quando estava em um estabelecimento para comprar materiais, e se apresentou para ser alguém iniciante no ofício. O atendente a tratou com grosseria, e chegou a questioná-la se ela iria aguentar trabalhar por cinco horas seguidas, mesmo sendo “magrinha”.

“Eu aguento muito mais. Eu já fiz uma sessão em casa com os meus amigos, quando eu estava começando e pegando o jeito. Foram de seis a sete horas seguidas. Eu tatuei três pessoas, uma atrás da outra”, diz.

 Mesmo com as situações de preconceito, Rebeca tem os feedbacks de seus clientes como motivação para seguir em frente. “As pessoas olham para mim e falam como meu trabalho é bom, e como eu estou indo bem para alguém que começou agora. Ou quando os clientes comentam que não doeu nada. Eu fico muito feliz. O fato é que eu estou mostrando a minha arte e as pessoas gostam dela”, explica Rebeca.

Mais que um desenho na pele

Para a CEO do estúdio Bloody Blossom, as pessoas colocam diversos significados na tatuagem. “Não é uma apenas uma questão de estética, é uma forma de arte. Uma forma de você ser sincero e honesto consigo. Tatuagem é a sua maior e melhor forma de expressão, que você vai levar para o resto da sua vida, literalmente para o seu túmulo”, finaliza Rebeca.

COMENTÁRIOS dos leitores