Detento conquista 900 pontos na redação do Enem 2020

Reeducando de 42 anos quer cursar matemática

por Ruan Reis qua, 07/04/2021 - 15:34
Divulgação/Seres Reeducando está no sistema prisional de Pernambuco Divulgação/Seres

A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco informou, nesta quarta-feira (7), que o detento Ironildo Rodrigues, da Penitenciária Agroindustrial São João (PAISJ), em Itamaracá, no Litoral Norte de Pernambuco, atingiu 900 pontos na redação do Exame Nacional do Ensino Médio 2020 para pessoas privadas de liberdade (EnemPPL). Ao todo, foram inscritos 1.273 detentos. Desse total, Ironildo, de 42 anos, que pensa em cursar matemática ou ciências da computação, obteve a maior média na prova de redação.

O tema proposto foi “A falta de empatia nas relações sociais no Brasil”. O reeducando, que está no sistema prisional do Estado há sete anos, se inscreveu no Enem em 2014, porém, segundo a Secretaria, foi preso, o que o desestimulou a participar da prova. “A prisão me deixou muito triste e não tive ânimo para estudar e assim passei uns três anos da minha vida. De 2018 para cá estudo todo dia, o dia todo. Minha mãe comprava os livros na feira por R$ 2 ou R$ 5 e trazia [para a penitenciária]”, disse, Ironildo, segundo a assessoria de imprensa do órgão público.

No Estado, os segundo e terceiro lugares ficaram com Gilvanildo Barros da Silva, da Penitenciária Doutor Edvaldo Gomes, em Petrolina, no Sertão, e Josenilson Leite de Oliveira Júnior, da Penitenciária de Tacaimbó, no Agreste. Os dois obtiveram 800 e 680 pontos na redação, respectivamente.

De acordo com a Secretaria Executiva de Ressocialização (Seres), foram inscritas 24 penitenciárias do Estado, sendo 23 unidades prisionais e uma cadeia pública. Ainda foi constatado um aumento no número de detentos inscritos, de 1.162, em 2019, para 1.273, em 2020, e uma evolução na redação do primeiro lugar, de 700 em 2019, para 900, em 2020. “Trabalho e educação são os pilares da ressocialização, esta é mais uma etapa importantíssima no processo de recuperação das pessoas privadas de liberdade”, disse, por meio de nota, o secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico.

COMENTÁRIOS dos leitores