Matrículas EAD crescem 378,9% em dez anos

Dados são do Censo da Educação Superior 2019, divulgados pelo MEC e pelo Inep nesta sexta-feira (23)

sex, 23/10/2020 - 10:57
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O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgaram, nesta sexta-feira (23), o Censo da Educação Superior 2019. De acordo com as informações, o ensino a distância mostrou um crescimento significativo nos últimos anos.

Em 2019, 63,2% (10.395.600) das vagas ofertadas foram EAD, entre as 16.425.302 oportunidades disponíveis para o nível de ensino. O censo mostra ainda que, em 2019, pela primeira vez na história, o número de ingressantes em cursos de EAD ultrapassou a quantidade de estudantes que iniciaram a graduação presencial, na rede privada. Ao todo, 50,7% (1.559.725) dos alunos que ingressaram em instituições privadas optaram por cursos a distância. Em contraponto, 49,3% (1.514.302) dos estudantes escolheram ingressar na educação superior de modo presencial.

Entre os anos de 2009 a 2019, o levantamento aponta que o número de matrículas em cursos a distância aumentou 378,9%. Ingressantes em cursos de EAD correspondiam a 16,1% do total de calouros, em 2009. Em 2019, esse público representa 43,8% do total de estudantes que inicia a educação superior. Também houve um aumento de 17,8% dos que optaram por cursos presenciais para iniciar a graduação. 

Ainda segundo a pesquisa, há 2.608 instituições de educação superior no Brasil. Dessas, 88,4% (2.306) são privadas e 302, públicas. O Censo da Educação Superior mostra ainda que a rede privada ofertou 94,9% do total de vagas para graduação, em 2019, enquanto a rede pública disponibilizou 5,1% das oportunidades.

Os dados também revelam que mais de 6,3 milhões de alunos estudam em instituições particulares, totalizando uma participação de 75,8% do sistema de educação superior. De uma forma mais descomplicada, a cada quatro estudantes de graduação, três frequentam estabelecimentos de ensino privados.

Configuração – A rede privada é composta, em sua maioria, por faculdades, totalizando 83,8% dos estabelecimentos. Das públicas, 43,7% (132) são estaduais; 36,4%, federais (110); e 19,9%, municipais (60). O censo mostra ainda que a maioria das universidades é pública (54,5%). Em relação às instituições federais, 63,5% são universidades, enquanto 36,5% são Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) e Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets).

Vagas ocupadas e remanescentes – Em 2019, a rede federal teve mais de 90% de ocupação das novas vagas oferecidas. De acordo com o Inep, trata-se do maior índice entre as diferentes categorias administrativas. Em contraponto, mais de 87 mil vagas remanescentes (71,6%) não foram preenchidas nessa mesma rede de ensino. Já as instituições estaduais tiveram o maior percentual de preenchimento desse tipo de oportunidade: 33%.

Graus acadêmicos – Ao todo, 40.427 cursos de graduação foram oferecidos, em 2019, entre bacharelados, licenciaturas e cursos superiores em tecnologia. Do total, 88,7% (35.898) são presenciais e 11,3% (4.529), a distância. O bacharelado predomina entre os graus acadêmicos ofertados (60,4%). Vale destacar que bacharelandos optam, em sua maioria, pela modalidade presencial. Já no EAD, o predomínio é de estudantes de licenciatura. Os cursos de bacharelado também continuam concentrando a maioria dos ingressantes da educação superior (57,1%), seguidos pelos tecnológicos (22,7%) e pelos de licenciatura (20,2%). Entre 2018 e 2019, houve um aumento de 3,1% no número de ingressantes no grau de bacharelado. Já os cursos de licenciatura registraram uma alta de 3,5% nesse mesmo período. Por outro lado, destacaram-se os cursos de grau tecnológico, que apresentaram a maior variação positiva, com 14,1% de ingressantes em 2019. Na década (2009 a 2019), o grau tecnológico registrou o maior crescimento percentual: 132,5%.

Financiamentos e bolsas – O Censo da Educação Superior mostra que quase metade dos alunos matriculados na rede privada (45,6) conta com algum tipo de financiamento ou bolsa. Desses, 20% correspondem ao Programa Universidade Para Todos (Prouni); 19%, ao Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies); e 61%, a outros tipos de auxílio.

Professores – Ao todo, 386.073 docentes atuam na educação superior no Brasil. Desses, 54,3% são vinculados a instituições privadas e 45,7%, ao sistema público de ensino. Do total de professores, 37,5% (144.874) possuem mestrado e 45,9% (177.017), doutorado. Nesse sentido, os dados mostram que a meta 13 do Plano Nacional de Educação (PNE) foi alcançada. A diretriz educacional estabelece, como objetivo, a ampliação da “proporção de mestres e doutores do corpo docente em efetivo exercício no conjunto do sistema de educação superior para 75%, sendo, do total, no mínimo, 35% doutores”. Os resultados refletem a melhoria da qualificação dos docentes que atuam na educação superior no Brasil.

De acordo com o Censo da Educação Superior 2019, a presença de docentes com doutorado nos cursos de licenciatura é de 59,9%, enquanto os cursos de bacharelado e superiores em tecnologia registram 55,1% e 31,9% de doutores no corpo docente, respectivamente. O levantamento também mostrou que a maioria dos professores de cursos presenciais é composta por profissionais com doutorado. Já na modalidade de EaD, a maior parte é de mestres. Nos cursos presenciais, 88,1% dos docentes possuem mestrado ou doutorado. Em contraponto, nos cursos a distância, esse percentual é de 89,2%.

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