No Ceará, mãe transforma alpendre de casa em sala de aula

Reportagem do Diário do Nordeste mostra ação que beneficia crianças que estão com aulas suspensas devido à pandemia de Covid-19

por Ruan Reis qui, 08/10/2020 - 18:59
Reprodução/TV Diário . Reprodução/TV Diário

Com as aulas presenciais suspensas devido à pandemia da Covid-19, estudantes e professores têm enfrentado dificuldades com o ensino remoto, principalmente pela falta de acesso à internet. No interior do Ceará, para conseguir manter o estudo da filha, de apenas oito anos, em dia, a universitária Vilani Souza, moradora da Banabuiú, localizada na Zona Rural do Estado, teve que se reinventar e transformar o pequeno alpendre de sua casa em uma “escolinha”. As informações estão em uma reportagem do portal Diário do Nordeste.

A ideia surgiu quando a jovem, mãe de 23 anos, que está cursando o último semestre de pedagogia, percebeu a dificuldade de sua filha em progredir nos estudos. A boa ação ainda contempla outras cinco crianças da comunidade.

"Para quem tem aparelho celular ou computador com acesso à internet, é bem mais fácil assistir as aulas remotas, mas para quem não tem esse acesso, fica prejudicado o aprendizado delas”, contou, ao portal Diário do Nordeste, Vilani Souza. O período de aulas remotas não tem sido fácil nem para as crianças, muito menos para as mães. Vilani relata que a rotina de cuidar da família, dos afazeres domésticos e trabalhar meio expediente no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Banabuiú, não tem sido fácil.

“Ainda vendo dimdim e sorvetes. Me viro de toda maneira, vendo ainda sandálias e folheados”, contou a jovem, segundo o portal. Embora a rotina seja puxada, a jovem relata que não se cansa de fazer o bem às crianças que, toda tarde, às 13h, já estão à sua espera no alpendre da casa. “Chego do trabalho nessa hora e as crianças já estão me esperando no alpendre”, disse. Ela ainda comentou: “Algumas mães não tiveram a oportunidade que a gente tem hoje, de poder estudar. Vi também essa necessidade de dar um futuro melhor. Foi uma forma de poder está ajudando essas crianças. Eu percebo o interesse que eles têm em aprender, mas as mães, por serem analfabetas, não tinham como fazer esse acompanhamento para essas crianças”, contou Vilani ao Diário do Nordeste.

No papel de professora, Vilani diz que seguirá ensinando até o retorno das aulas presenciais, e lembra que as aulas estão sendo oferecidas a poucas crianças para enviar aglomeração. Sua filha, Antônia Ravila de Oliveira Souza, aprova o ensino que está recebendo em casa. “O aprendizado está sendo bom. Minha mãe está ensinando a todos nós, meus amigos, meus primos. Dá para entender e acompanhar bem o que ela tem passado para a gente, temos aprendido”, declarou, segundo o portal, a estudante.

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