Cresce a demanda por intérpretes de Libras na pandemia

Lives feita por artistas têm dado mais destaque à profissão

por Alfredo Carvalho ter, 14/07/2020 - 16:45

O isolamento social causado pelo coronavírus (Covid-19) contribuiu para popularizar as lives de influenciadores digitais, empresários, artistas e outros seguimentos. Esse tipo de conteúdo tem entretido as pessoas na quarentena e, graças aos intérpretes de Libras, pessoas com deficiências auditivas também podem aproveitar desse entretenimento.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto Locomotiva, existem 10,7 milhões de pessoas surdas no Brasil. Em função disso, existem grupos que realizam o trabalho de intérpretes em lives de artistas, entre eles o Acessibiliart, de São Paulo.

O grupo é composto pelos intérpretes Ricieri Palha, Adriano Paiva e Cléber Bordini. O conjunto realiza traduções simultâneas de músicas, uma tarefa que exige uma dinâmica diferente em comparação aos diálogos convencionais.

Da esquerda para a direita: Ricieri Palha, Adriano Paiva e Cléber Bordini, intérpretes de Libras especializados em lives musicais. Foto: arquivo pessoal

“Na esfera musical, o profissional precisa desenvolver a musicalidade também, além de dar ênfase nas expressões corporais e faciais”, explica Palha.

Segundo Palha, para interpretar lives musicais, é importante fazer aulas de dança e teatro, que ajudam o intérprete a adquirir o ritmo necessário para traduzir a música no formato de Libras.

Por causa da pandemia, os intérpretes de Libras têm alcançado uma maior visibilidade para o seu trabalho e as lives têm contribuindo para o crescimento da demanda.

“Isso é ótimo pois aumenta a conscientização e valorização da sociedade em relação ao trabalho de intérprete, assim como as necessidades da comunidade surda”, comenta a intérprete e professora de Libras da Lume Fonoaudiologia e Capacitação, Cristiane Calciolari.

A intérprete e professora de Libras Cristiane Calciolari. Foto: arquivo pessoal

A profissão pode se manter em alta no pós-pandemia, o que deve chamar a atenção de pessoas que desejam ingressar nesse mercado.

“Uma dica é procurar um curso de Libras de qualidade, que tenha teoria e prática. O professor precisa ter formação e contato com a comunidade surda”, ensina Cristiane.

Além disso, é importante que os alunos tenham contato com pessoas surdas, pois essa vivência garante um melhor aprendizado do idioma. “Por ser  uma língua viva, que está em constante atualização e desenvolvimento, vão surgindo sinais novos e vocabulários específicos nas mais diversas áreas, como por exemplo jurídica, da saúde, entre outros”, esclarece a intérprete.

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