'Recrutador' oferta vaga em troca de foto com lingerie

Caso aconteceu em um grupo do Facebook, no último dia 21 de dezembro

por Nicole Simões qui, 28/12/2017 - 15:07

"Uma foto sua de lingerie agora e amanhã você já começa a trabalhar". Essa foi a proposta que Karol Klécia, 20, recebeu ao tentar se candidatar a uma vaga de emprego oferecida no Recife, em um grupo do Facebook, no dia 17 de dezembro. Na postagem feita por um homem com perfil de Alex Santos, os requisitos para participar da seleção eram ter entre 14 e 20 anos, informar o telefone e o local onde reside.

Interessada na vaga, a Karol entrou em contato pelo bate-papo e enquanto tentava saber mais sobre a oferta acabou sendo surpreendida com um pedido de ajuda do próprio Alex. "Posso lhe ajudar, agora também tem que me ajudar. Tenho cinco contratos aqui para a Cacau Show, só que também quero uma ajuda", diz ele em uma das respostas. Karol por sua vez, responde "Se eu puder ajudar...Conte-me!". Ele continua "Quer trabalhar mesmo, né?". E é nesse momento que o recrutador lança a proposta para a jovem de enviar a foto com uma lingerie. 

Inconformada com a proposta, a Karol tirou prints da conversa com o "recrutador" e publicou em seu perfil o caso, no último dia 21. "Venho aqui expor essa pessoa por assédio. Não sei se a vaga de emprego é verídica, mas não percam tempo falando com esse homem. Acredito que membros desse grupo conheçam esse delinquente. Compartilhem. E se alguém souber alguma informação do indivíduo, por favor, me avisem no privado", desabafa a jovem no post.

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Em entrevista ao LeiaJá, Karol contou que após o ocorrido foi na Polícia Federal e na delegacia de crimes cibernéticos, mas não teve nenhum auxílio. "Fui na Polícia Federal, do Cais do Apolo, os policiais cheios de mal vontade, falaram que só a Polícia Civil resolvia. Fui na delegacia de crimes cibernéticos, expliquei o ocorrido a um policial civil, ele nem deu importância ao que eu estava falando, disse que os prints que eu tinha não serviam", afirmou.

Ainda na delegacia de crimes cibernéticos, a vítima explicou ao policial que não sabia se o "recrutador" tinha excluído o seu perfil do Facebook ou se tinha apenas bloqueado ela. O policial informou que a denúncia precisava ser feita na delegacia da cidade onde mora, no Cabo de Santo Agostinho, não na delegacia de crimes cibernéticos.  

O desleixo com o caso por parte da polícia incomoda a jovem. "Como sempre, nem se moveram para buscar o perfil. Consegui o print do perfil com o número do IP, através de outra pessoa, e assim que possível, vou em outra delegacia fazer o boletim de ocorrência", desabafa. Para ela, "o perigo é o 'recrutador' marcar uma seleção com uma pessoa de 14 anos e isso acabar em um estupro ou vários".

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