Especialistas falam sobre cuidados no mundo dos games

Jogos eletrônicos ativam sistemas cognitivos, mas o vício pode causar transtornos psicológicos

sex, 10/08/2018 - 13:51

Cada vez mais os jogos estão inseridos no cotidiano das pessoas. Mais de 69% dos internautas brasileiros jogam games eletrônicos, conforme pesquisa feita pela Conectaí.

Segundo Leonardo Leite, mestre em jogos eletrônicos, o primeiro jogo eletrônico, “Tennis for Two” (tênis para dois), foi inventado em 1958, pelo físico nuclear William Higinbotham. Era o começo de uma enxurrada de jogos que viriam nos anos posteriores.

Afinal, os games trazem benefícios ou prejudicam a vida dos jogadores? De acordo com o especialista Leonardo Leite, os jogos ativam o sistema de prazer, de recompensa e nesse sistema de recompensa alguns neurotransmissores do prazer são liberados.

Ao mesmo tempo em que o jogar pode trazer benefícios, por melhorar a atenção, concentração e capacidade de fazer planejamento, se o jogador se dedicar somente a isso terá prejuízos. “Quando o jogo passa a tomar muito tempo da vida do indivíduo, esse jogar pode começar a se tornar uma doença”, diz a psicóloga Gabriela Nascimento. “Pode ter prejuízo acadêmico, laboral, social. Existem inúmeros relatos de pessoas, principalmente jovens de 13 a 30 e poucos anos, que se dedicam somente a jogos”, conta Gabriela.

Os jogadores começam a atividade ainda na infância. “Você vê jogos eletrônicos para crianças de 2, 3 anos. Existem jogos eletrônicos com finalidade didática. A questão principal é a frequência com que essas crianças, esses jovens e adultos passam frente a esses jogos”, conta a psicóloga.

Ian Bacellar, estudante de engenharia de telecomunicações e manager na organização Infinitive five e-sports, conta que sua paixão pelos games começou muito cedo. “Bom, desde os 2 anos de idade meu pai me incentivava a mexer no computador, inicialmente só com o teclado com o bloco de notas, e depois com joguinhos educativos infantis, tipo coelho sabido. Conforme fui crescendo, ele foi instalando jogos mais avançados e eu adorava jogar, como jogos de corrida, aventura etc. Por volta dos 7 anos eu comecei a jogar on-line, e com 9 eu jogava games como Counter Strike 1.6, que já são mais avançados e competitivos”, conta o universitário.

Para Ian, os jogos eletrônicos, que se tornaram uma forma de trabalho, trazem muitos benefícios para os jogadores, como melhoria em capacidades cognitivas, reflexo, memória, tomada de decisões e organização, mas ele destaca que é preciso ter equilíbrio no uso e alguns cuidados. “É preciso se ter cuidado com alguns fatores cruciais, como por exemplo a quantidade de horas gastas diariamente na frente das telas, que pode ser extremamente prejudicial à saúde, se em excesso. Também é necessário ficar atento à postura para evitar problemas na coluna, e a questão do vício. Embora jogar seja muito bom, não se pode substituir completamente o mundo físico pelo mundo virtual”, conclui o futuro engenheiro.

O universitário Rafael Souza (30), técnico em radiologia e músico, também fez do amor pelos games uma forma de ganhar dinheiro e hoje é coach em jogos eletrônicos. “Estou há três ou quatro anos trabalhando com isso. Comecei fazendo análise do cenário competitivo internacional e nacional.  Aprimorando meus conhecimentos”, diz o músico.

Os jogos podem trazer benefícios. “São utilizados games como recurso terapêutico com crianças com autismo. Você vê as duas faces da mesma moeda. Tanto visto como recurso terapêutico como, se for usado de forma excessiva, pode ter um efeito danoso”, detalha Gabriela.

Apesar do crescente número de usuários nos jogos eletrônicos, da paixão pelos jogos e dos benefícios que eles trazem aos jogadores, é preciso estar atento para que os excessos não tornem a diversão uma doença. A  Organização Mundial de Saúde (OMS) começou a tratar o jogo como uma doença. “Essas pessoas eram vistas como pessoas que não queriam nada e obviamente o tratamento ficava de lado, com agravamento do quadro”, afirma a psicóloga.

A especialista  ressalta que os pais ou cuidadores de crianças precisam estar atentos para o tempo que as crianças passam na frente do computador, smartphone e tablet. “Provavelmente isso vai trazer algum tipo de prejuízo, algum tipo de dano para a criança. Os cuidadores têm que estar atentos com o tempo em que essas crianças estão à frente desses jogos”, afirma.

Quando as atividades mais básicas, como o alimentar-se, acabam sendo deixadas de lado, é um sinal de que o jogo não está mais trazendo nenhum benefício, ou quando o jogador deixa de se socializar, e podem ser sintomas de depressão. “A pessoa pode ter, por exemplo, fobia social. Estar pessoalmente, frente a frente com o outro pode ser extremamente aversivo. E a forma que encontra de interagir é somente usando o jogo. Se isso não for tratado, pode evoluir para um quadro mais grave”, conclui a psicóloga.

Por Rosiane Rodrigues.

COMENTÁRIOS dos leitores