Vício em smartphones não existe, afirma pesquisador

De acordo com novo estudo, é a interação social que os smartphones proporcionam que causa dependência

por Nathália Guimarães sab, 03/03/2018 - 13:06
Pexels Pesquisador defende que estar conectado com outros seres humanos é um desejo evolutivo Pexels

Todos conhecemos pessoas que, aparentemente, são incapazes de viver sem seus telefones por mais de alguns minutos e que estão constantemente enviando mensagens de texto e verificando o que os amigos estão fazendo nas mídias sociais. Mas ao contrário do que muitos podem pensar, esses indivíduos não estão viciados em smartphones, mas sim em contato social. Pelo menos é o que afirma um pesquisador.

De acordo com o pesquisador Samuel Veissière, da Universidade McGill, no Canadá, e especialista em antropologia cognitiva, os smartphones não criam um vício em tecnologia. Em vez disso, despertam não só um desejo constante de assistir e monitorar os outros, mas também de ser visto por amigos.

Em um artigo, o pesquisador defende que estar conectado com outros seres humanos é um desejo evolutivo. Foi necessário que essa característica prevalecesse para que a espécie continuasse a sobreviver. Esta é também uma maneira de encontrar significado, objetivos e um senso de identidade, segundo ele.

No estudo publicado na revista científica Frontiers in Psychology, Veissière, ao lado de um colega, revisou a literatura atual sobre o uso disfuncional da tecnologia através de uma lente evolutiva e descobriu que as funções mais amigáveis ​​dos smartphones compartilham um tema comum - eles aproveitam o desejo humano de se conectar com outras pessoas.

Enquanto os smartphones aproveitam uma necessidade normal e saudável de sociedade, Veissière concorda que o ritmo e a escala da hiperconectividade empurram o sistema de recompensas do cérebro para limites que antes não existiam, o que pode levar a vícios pouco saudáveis.

"Há muito pânico em torno deste tópico", disse Veissière, em uma entrevista recente. "Estamos tentando oferecer boas notícias e mostrar que é o nosso desejo de interação humana que é viciante e há soluções bastante simples para lidar com isso", completou.

"Em vez de começar a regulamentar as empresas de tecnologia ou o uso desses dispositivos, precisamos começar a conversar sobre a maneira apropriada de usar smartphones", aconselhou o pesquisador.

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