OMS reconhece vício em videogames como transtorno mental

Transtorno se caracteriza quando as jogatinas se tornam mais importantes que outros interesses da vida

por Nathália Guimarães sex, 22/12/2017 - 11:05
Reprodução OMS vai reconhecer vício em videogames como transtorno mental a partir de 2018 Reprodução

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta quinta-feira (21) que vai incluir o vício em jogos eletrônicos na sua lista internacional de doenças pela primeira vez em 2018. De acordo com o texto atual, o transtorno se caracteriza quando as jogatinas se tornam mais importantes que outros interesses da vida e continuam ou aumentam mesmo com consequências negativas.

Após uma década monitorando jogos de computador, a OMS decidiu classificar alguns jogadores excessivos como tendo uma condição de saúde mental. Para alguém ser diagnosticado com o transtorno do videogame, os sintomas precisam ser evidentes no período de 12 meses (com exceção de casos extremos).

Em entrevista à New Scientist, o líder do departamento de saúde mental e abuso de substâncias da OMS, Vladimir Poznyak, informou que os profissionais de saúde precisarão reconhecer que o vício em jogos pode trazer consequências graves para os pacientes.

"A maioria das pessoas que jogam videogames não tem uma desordem, assim como a maioria das pessoas que bebem álcool também não tem transtorno. No entanto, em determinadas circunstâncias, o uso excessivo pode levar a efeitos adversos", informou.

A redação da entrada da desordem do jogo será incluída na revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID), manual publicado pela OMS que traz a definição e os códigos das patologias e que serve de parâmetro para o trabalho de médicos de todo o mundo. O documento foi atualizado pela última vez em 1990.

Para os médicos e a própria OMS, incluir o transtorno do jogo na CID facilitaria o trabalho dos especialistas no diagnóstico e tratamento do problema. A falta de controle na frequência, duração e intensidade das sessões também é fator determinante para determinar a condição. A agência não listou outras condições ligadas à tecnologia, como o chamado vício de smartphones ou internet.

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