Disco de armazenamento salva dados por 13 bilhões de anos

Técnica promete preservar documentos da história humana para as próximas gerações

por Nathália Guimarães dom, 21/02/2016 - 14:22
Divulgação/Universidade de Southampton Cientistas utilizaram a nova técnica para armazenar a Bíblia Divulgação/Universidade de Southampton

Cientistas da Universidade de Southampton, na Inglaterra, fizeram um grande avanço no desenvolvimento de um tipo de armazenamento de dados digital que é capaz de sobreviver por bilhões de anos. Usando vidro nanoestruturado, os especialistas criaram processos de gravação e recuperação de dados digitais em cinco dimensões (5D) a partir de uma escrita em laser.

Estes discos têm o tempo de vida útil de 1,38 bilhões de anos e são capazes de armazenar até 360 ​​TB em dados. Para isso, eles precisam ser preservados a até 190°C. A nova tecnologia, no entanto, suporta temperaturas até 1.000 ° C.

Como uma forma muito estável e segura de memória portátil, a tecnologia poderia ser muito útil para preservar informações e registros de organizações com grandes arquivos, museus e bibliotecas, informou a Universidade de Southampton.

A tecnologia foi demonstrada pela primeira vez em 2013, quando uma cópia digital de 300 Kb de um arquivo de texto foi gravada com sucesso em 5D. Em testes recentes, os cientistas utilizaram a nova técnica para salvar alguns dos principais documentos da história, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), a Carta Magna e a Bíblia.

Os documentos foram gravados usando um laser ultra veloz, que produz pulsos de luz extremamente curtos e intensos. O arquivo é gravado em três camadas de pontos nanoestruturados separados somente por cinco micrômetros – unidade que equivale a um milionésimo de metro.

Segundo a Universidade de Southampton, as nanoestruturas alteram o caminho que a luz percorre no vidro, modificando a polarização que poderá ser lida pela combinação de um microscópio óptico e um polarizador, similar às lentes usadas em óculos da marca Polaroid.

“Esta tecnologia pode garantir a última prova da nossa civilização. Tudo o que aprendemos não será esquecido”, ressaltou o professor Peter Kazanksky, que participou do desenvolvimento. A equipe de cientistas da Universidade de Southampton agora está à procura de parceiros da indústria para desenvolver e comercializar esta nova tecnologia.

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