Um ano sem Marielle: saudosa, militância cobra respostas

Integrantes do PSOL em Pernambuco lembraram a trajetória da vereadora carioca e reafirmaram que o crime fez a voz dela ecoar mais alto

por Pedro Bezerra Souza qui, 14/03/2019 - 07:40
Reprodução/Facebook/Marielle Franco A vereadora foi assassinada na noite do dia 14 de março de 2018, quando voltava para casa depois do trabalho Reprodução/Facebook/Marielle Franco

Um ano se passou desde o fatídico 14 de março de 2018, dia em que o Brasil ficou marcado pela lamúria, medo, impotência, insegurança e incertezas de dias futuros. A vereadora pelo PSOL do Rio de Janeiro, Marielle Franco, foi assassinada no centro da capital fluminense, a sangue frio, em uma emboscada enquanto voltava para casa depois do trabalho.

Já era noite, o relógio marcava cerca de 21h30, e a vereadora estava no bairro do Estácio, vinda de um evento na Lapa. Além de Marielle, estavam no carro sua assessora e o motorista Anderson Gomes, que também perdeu a vida naquele dia. Treze disparos saíram do carro perseguidor, de modelo Cobalt com placa de Nova Iguaçu, contra o veículo onde estavam as vítimas.

Nove tiros atingiram a lataria; os outros quatro, o vidro. Marielle e Anderson morreram na hora. A assessora foi atingida por estilhaços e sobreviveu. Os criminosos fugiram sem levar nada e, a partir daí, o país, de luto, se perguntava: quem matou Marielle e Anderson? Por que mataram Marielle e Anderson?

As suspeitas de um crime político sempre estiveram aflorando a mente da investigação e da militância. Marielle era mulher negra, lésbica, favelada, defensora dos direitos humanos e crítica ferrenha à intervenção militar que o Rio de Janeiro passava naquele momento. A voz da vereadora parecia incomodar o espaço de muita gente.

Depois de quase um ano de apurações e sem respostas claras, na madrugada da última terça-feira (12) a polícia prendeu o policial militar reformado Ronnie Lessa e o ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, apontados como suspeitos do atentado. A denúncia afirma que Ronnie é o autor dos 13 disparos, já Élcio estaria dirigindo o Cobalt.

Marielle Franco deixou uma filha, uma esposa, um pai, uma mãe e uma legião de pessoas sem chão. Se a intenção era silenciar a voz dela, o tiro saiu pela culatra. Depois desse 14 de março, a voz da vereadora ecoou com muito mais força pelos quatro cantos do Brasil. E em Pernambuco não foi diferente.

Líderes do PSOL em Pernambuco conversaram com a reportagem do LeiaJá sobre todos esses acontecimentos durante esse um ano após o assassinato da vereadora. O vereador Ivan Moraes acredita que a investigação precisa continuar. “Acho que a prisão foi um fato importante. Porém, mais do que a prisão, os mandados de busca e apreensão podem revelar muita coisa. Precisamos ser cautelosos para cobrar as respostas”, pontuou.

“A prisão preventiva não resolveu nossa questão. A investigação precisa continuar para sabermos quem matou e quem mandou matar Marielle. Se eles forem os assassinos, os indícios demonstram que são profissionais do crime. E profissional não trabalha de graça. Eles são contratados e executam tarefas”, completou Ivan.

Apesar a tristeza oriunda do crime, Ivan Moraes assegura que ninguém fala de medo, de receio, nem de temor. “A gente fala de luta, de multiplicação, de ocuparmos mais espaços. Tanto é que depois do assassinato, a quantidade de negros e mulheres eleitos para deputados federal e estadual, no ano passado, aumentou muito. A semente que ela gerou só aumenta. A gente nunca esteve tão forte”, garantiu.

A candidata ao Governo do Estado nas eleições de 2018 pelo PSOL, Dani Portela, é enfática quanto ao assunto: “Desde o momento que aconteceu, nós fazemos duas perguntas: quem matou e quem mandou matar Marielle? Um ano depois, tudo caminha para responder a primeira pergunta, mas a gente segue questionando a segunda pergunta”.

Dani Portela também acredita que a morte de Marielle precisa ser demarcada não apenas como um crime fruto da violência, ou mais uma estatística de morte de mulheres negras (que, infelizmente, vem crescendo vertiginosamente no Brasil). “É preciso que tratem como um crime político. Foi uma execução. Os tiros que atingiram ela queriam silenciar as pautas que ela carregava”, salientou.

“Ela ocupou espaços historicamente ocupados por homens brancos. Marielle denunciava a violência de estado, da polícia, das milícias no Rio de Janeiro”, alegou Dani Portella. A psolista também acredita que o fato foi um atentado contra a democracia brasileira.

A jornalista e integrante do mandato coletivo Juntas (PSOL), Carol Vergolino, atestou que, mesmo após a prisão dos suspeitos, a militância vai continuar na luta do mesmo jeito de antes. “O caso não foi solucionado, ainda está longe. Ainda tem muita coisa a ser feita”, lembrou, endossando que ela e o Juntas vão continuar exigindo justiça por Marielle e Anderson.

Deixando um forte legado mesmo - e principalmente - após o crime, Marielle Franco vai receber homenagens durante toda esta quinta-feira(14) pelo Brasil. No Recife, haverá programações em todos os horários.

“Logo cedo estaremos na Câmara Municipal, onde estenderemos uma bandeira da causa e lembraremos dela. Às 10h30 haverá uma homenagem na Alepe, onde falaremos da vereadora e das pautas que ela apoiava. Por sim, às 17h, estaremos na Praça do Diário, na área central do Recife, em um grande ato para reafirmar, mais uma vez, a nossa luta”, finalizou Carol.

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