Alianças: Bolsonaro e Haddad com palanques modestos

A 10 dias do 2º turno, os dois candidatos não conseguiram formar um amplo leque de alianças. Para o cientista Adriano Oliveira, apesar de ter menos apoios, Jair Bolsonaro tem vantagens diante de Fernando Haddad

por Giselly Santos qui, 18/10/2018 - 15:57
Montagem/LeiaJáImagens/Arquivo Montagem/LeiaJáImagens/Arquivo

Um bom leque de alianças é considerado primordial entre os políticos para garantir forças e vencer uma eleição, mas o conjunto de partidos que endossam os palanques dos candidatos ao segundo turno presidencial, Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), não é um retrato disso. Com alianças modestas, apesar da expectativa de construírem frentes amplas, os postulantes ao Palácio do Planalto esbarraram com a opção de neutralidade da maioria dos partidos.

Dos que concorreram no primeiro turno presidencial declararam neutralidade o DC, de Eymael; o Novo, de João Amoêdo, mas que deixou claro ser "absolutamente" contrário ao PT; o Patriota, do Cabo Daciolo; o PSDB, de Geraldo Alckmin, mas liberou os Estados para apoiarem o candidato que quisesse; e o MDB, de Henrique Meirelles. A Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, recomendou "nenhum voto" a Bolsonaro, mas ressaltou que não apoiaria Haddad.  

Ainda na lista dos neutros, estão o DEM, mas o presidente nacional e prefeito de Salvador, ACM Neto, está apoiando Jair Bolsonaro; Podemos, PP,  PSD, PR, PRB e Solidariedade. O PPS, por sua vez, anunciou que fará oposição às duas candidaturas.

Já entre os que se posicionaram por um ou outro, estão com Fernando Haddad o PDT, de Ciro Gomes, que optou por um "apoio crítico" - tanto é que o irmão do presidenciável, nesta semana, chegou a bater boca com militantes petistas ao pedir que o partido fizesse uma mea culpa sobre a crise enfrentada pelo país após o governo de Dilma Rousseff (PT); o PPL, de João Goulart Filho; o PSOL, de Guilherme Boulos, e o PSTU, de Vera Lúcia. O PSB, que ficou neutro no 1º turno, e o PCB também se alinharam a Haddad. Enquanto PTB e PSC decidiram apoiar Bolsonaro.

Mesmo tendo acoplado seis legendas ao palanque já formado pelo PROS e PCdoB, Fernando Haddad não conseguiu encorpar a chamada “frente democrática” que gostaria de ter formado contra Jair Bolsonaro, uma vez que o PDT foi resistente e crítico ficando de fora do grupo e, inclusive, Ciro Gomes deixou o país e não vai pedir votos nos atos públicos para o ex-prefeito de São Paulo.

Na ótica do cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Adriano Oliveira, a solidez do grupo poderia garantir a vitória do petista, mas ele fracassou até agora. “Haddad tentou criar a Frente Democrática, mas não conseguiu e hoje eu vejo ele solitário. Há, claro, alguns apoios aqui e ali, mas não existe uma liderança como Ciro Gomes, Fernando Henrique Cardoso e Joaquim Barbosa liderando uma frente democrática, o que é dificuldade para a campanha de Haddad”, ponderou.

Apesar da linha conservadora, que afastou muitos partidos, e de apenas duas declarações oficiais de apoio para a segunda etapa do pleito, o capitão da reserva sai em vantagem com relação ao petista, segundo Adriano Oliveira.

“No caso de Bolsonaro, as manifestações já estão nas ruas, ele já conquistou parcela majoritária dos eleitores, embora não tenha grandes figuras emblemáticas apoiando ou pedindo voto. Cabe destacar que o mercado apoia Bolsonaro, grupos empresariais como o agronegócio já declararam apoio. Portanto, nesse instante, ele agrega muito mais do Haddad. Bolsonaro está agregando o setor produtivo e Haddad não está conseguindo montar, o que era uma oportunidade de vencer a eleição a construção dessa frente democrática”, complementou o estudioso.

Para Oliveira, contudo, a maior preocupação agora já é com o posterior a eleição. “O que devemos ter como preocupação agora não é com as alianças do segundo turno, mas sim como o próximo presidente da República lidará com o Congresso.  PSL e PT têm as maiores bancadas. Bolsonaro é favorito para ganhar a eleição, então já parte com 52 deputados e seu desafio é saber lidar com o Congresso e criar um presidencialismo de coalizão para fazer as reformas que o país precisa, como a da Previdência, e outras ações que ele pretende implantar como as privatizações”, salientou.

O cientista político disse ainda que “o grande desafio para qualquer um dos dois vai ser saber lidar com a oposição”. “Qualquer um que ganhar vai ter ‘a oposição’, tanto no Congresso quanto nas ruas, por isso que eles precisam tomar medidas imediatas não só para salvar a economia do país como também não podem reforçar a crise política que existe hoje. E claro, na medida que fazem ações que visam melhorar a economia do país vão servir como escudo para Bolsonaro ou Haddad”, destacou Adriano Oliveira.

COMENTÁRIOS dos leitores