Marielle: PMs estariam envolvidos na execução, diz jornal

Após a divulgação do depoimento de uma testemunha por O Globo, família da vereadora disse que vai aguardar a conclusão das investigações. Reconstituição do crime será realizada nesta quinta (10)

por Mellyna Reis qui, 10/05/2018 - 15:41

RIO DE JANEIRO - O relato de uma suposta testemunha-chave nas investigações da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes aponta que um policial militar lotado no 16º Batalhão (Olaria) e um ex-PM estavam no carro utilizado na execução do crime, um Cobalt prata, cuja placa foi clonada. 

A mesma testemunha, cujo depoimento foi revelado pelo jornal O Globo, cita outros dois homens que também teriam envolvimento com o assassinato. Esses dois atuariam como uma espécie de seguranças do o ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como "Orlando Curicica", apontado como chefe de milícia que atua em bairros da Zona Oeste do Rio. Orlando e o vereador Marcello Siciliano (PHS) foram citados por essa suposta testemunha como responsáveis pela morte de Marielle e Anderson.  

As informações não foram confirmadas pela Polícia Civil, que segue mantendo as investigações em sigilo. O vereador Marcello Siciliano convocou uma coletiva de imprensa ontem (9), onde negou as acusações. "Estou sendo massacrado nas redes sociais por algo que foi supostamente dito por uma pessoa que a gente nem sabe a credibilidade que essa pessoa tem", afirmou. 

No entanto, o LeiaJá teve acesso a um pedido de habeas corpus impetrado em favor do ex-PM Orlando Araújo, que está preso no Complexo Penitenciário de Gericinó desde outubro do ano passado. O documento cita os dois seguranças, apontados pela suposta testemunha do Caso Marielle, como executores da morte do presidente da escola de samba União Parque de Curicica, Wagner Raphael de Souza, assassinado em 2015. Os nomes serão preservados por conta das investigações.  

O ex-PM Orlando Araújo é acusado de ser o mandante da morte de Wagner Souza - que foi executado de modo semelhante ao de Marielle e o habeas corpus foi impetrado em seu favor meses antes dele ser preso. Quem fez o pedido foi o advogado Rodrigo Henrique Roca Pires, que atua como advogado de Sérgio Cabral nos processos da Lava Jato. Contudo, Rodrigo Roca, que foi presidente do Procon-RJ em 2013 durante o mandato de Cabral, não é mais o defensor do ex-PM. 

A divulgação do teor dos depoimentos gerou uma onda de manifestações nas redes sociais por parte colegas de partido e amigos de Marielle. O presidente do PSOL nacional, Juliano Medeiros escreveu no Twitter:

"Informações sobre assassinato de Marielle devem ser apuradas. São quase dois meses sem respostas. Mas é cedo para dizer se as acusações são verdadeiras. Confiamos no trabalho da Polícia Civil e em seu empenho para encontrar os responsáveis pela morte de Marielle".

Sobre os relatos, família da vereadora preferiu acompanhar o desfecho das investigações. Em conversa com o LeiaJá, Anielle Franco, irmã de Marielle, assegurou que a polícia nunca revelou nomes de suspeitos ou detalhes do caso aos familiares para não comprometer o inquérito. "Nós estamos na mesma, apenas esperando as investigações. Nós não temos certeza de nada ainda", disse. 

Reconstituição

A Delegacia de Homicídios da Capital (DH) realiza nesta quinta-feira (10), a partir das 22h, a reprodução simulada das mortes de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, no bairro do Estácio, no Centro do Rio. Por conta da simulação, serão interditadas as ruas no entorno do local onde ocorreu o crime.

Serão fechados os trechos da Rua Joaquim Palhares entre as Ruas Haddock Lobo e Rua Ulysses Guimarães; Rua João Paulo I, entre a Avenida Paulo de Frontin e Rua Joaquim Palhares e Rua Estácio de Sá entre a Rua Hélio Beltrão e Rua Joaquim Palhares. 

A interdição será realizada a partir das 20h, com bloqueio para pedestres e veículos devido utilização de tiros em pontos específicos para análise da perícia. A Polícia Civil informou ainda que, por questões de segurança, os moradores da região só poderão acessar as ruas bloqueadas após serem autorizados pelos policiais da DH. 

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