Um ano difícil para Paulo Câmara e a busca pela reeleição

A pergunta que fica é se o governador vai ter a força para superar a avaliação negativa e ser reeleito ou se ele deixa o cargo como mais um político sem grandes marcas

por Taciana Carvalho sab, 30/12/2017 - 08:00
Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo

Se o governador Paulo Câmara (PSB) se esforçou ou não no comando de Pernambuco desde que foi eleito, em 2014, apadrinhado pelo então ex-governador Eduardo Campos, é um assunto que divide opiniões. Se há quem o defenda culpando, em parte, as crises econômica, ética e política que o Brasil enfrenta, uma outra grande parcela atribui a ele a responsabilidade de problemas crescentes como na área da segurança pública. 

Debate à parte sobre a atuação de Paulo Câmara, é verdade que o pessebista vai ter que correr contra o tempo para reverter uma colocação nada desejável: um levantamento do Instituto de Pesquisas UNINASSAU, encomendado pelo LeiaJá, em parceria com o Jornal do Commercio, divulgado em abril passado, revelou que o governador é considerado o pior da história de Pernambuco. O estudo também mostrou que 74% dos entrevistados não aprovam a sua gestão sendo apenas de 16% seu percentual de aprovação. 

Sem dúvida, o motivo de ser visto com maus olhos por uma parte dos pernambucanos é o crescimento da violência, que tem assustado a sociedade. Em novembro passado, Pernambuco alcançou a marca de cinco mil homicídios, um número nunca registrado no estado desde que assassinatos passaram a ser contados pelo DataSUS, em 1979. 

O ano de 2017 já começou difícil para Câmara. Em meados de 2017, um assalto cinematográfico à empresa de transporte de valores Brinks chocou a população. Mais de 20 homens fortemente armados iniciaram uma troca de tiros com o Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran). O grupo conseguiu fugir com uma quantia que teria ultrapassado o valor de R$ 60 milhões. Na ocasião, o governador chegou a garantir durante coletiva de imprensa que havia um engajamento no sentido de “prender as pessoas que estão provocando isso”. 

Por sua vez, Câmara tem tentado combater os problemas que lhe cercam nessa área ao ponto de anunciar um investimento de R$ 290, 8 milhões para a segurança pública, até o final do seu primeiro mandato, afirmando que esse é o maior valor destinado para a área da história do Estado. Ele tem dito, por diversas vezes, que não vai descansar até que os números da violência diminuam.  

Em um dos últimos eventos do ano, nesta semana, ele afirmou que o número de assaltos a ônibus tem diminuído. Ainda falou que 2017 não foi fácil e que o trabalho vai continuar em 2018 porque “muita coisa precisa ser melhorada”. 

Soma-se aos problemas que o governador enfrenta, outro que pode terminar em uma reviravolta quando se trata do quadro que vai disputar o Governo do Estado no próximo ano: a desfiliação do senador Fernando Bezerra Coelho do PSB e sua filiação ao PMDB. 

Caso venha a ser cumprido o que o presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá, afirmou há dez dias durante convenção da sigla: de que o processo de intervenção na legenda em Pernambuco deve ser concluída até o fim de janeiro tirando o comando do PMDB do vice-governador Raul Henry e do deputado federal Jarbas Vasconcelos, o governador deve perder ainda mais força já que deve levar o PMDB para a oposição. Os capítulos dessa história e a troca de acusações deve render muita polêmica em 2018. 

Comparação com Eduardo Campos e críticas

A comparação entre Paulo Câmara e o ex-governador Eduardo Campos também tem rendido duras declarações de políticos ao ponto do deputado estadual Edilson Silva (PSOL), em entrevista ao LeiaJá, afirmar: “Para a nossa desgraça, o governador Eduardo Campos morreu”. O parlamentar disse que Campos fazia falta no comando do Pacto pela Vida, mas também salientou que Eduardo tinha liderança. “Mas Paulo Câmara não lidera nem o secretariado dele”, disparou na ocasião. 

Na semana retrasada, o deputado Silvio Costa Filho (PRB) também fez uma comparação entre os dois. “O governo Eduardo Campos tinha 70% de aprovação e ouvia a sociedade. Esse governo tem 70% de rejeição e não ouve a população. Meu avô sempre dizia que quem não ouve, erra mais e é verdade”.

Câmara ainda deverá enfrentar, em 2018, discursos intensos contra o seu mandato. No entanto, não deve se esquecer que o governador durante a campanha eleitoral que o levou à vitória se saiu com desenvoltura em entrevistas e debates que participou chegando até mesmo a sorrir e falar com tranquilidade ao tocar em temas delicados. 

Esse perfil desassociado ao da “velha política” também ajudou no sentido de conquistar a vaga almejada por políticos antigos e experientes. Câmara venceu com uma margem larga: 68,08%, o que equivale a um total de 3 milhões de votos. O senador Armando Monteiro (PTB) ficou em segundo lugar com 31,07%, ou seja, 1,3 milhão de votos. 

Um político com um diferencial

Ao contrário de muitos, Paulo Câmara não é político de “carteirinha”. Ele é formado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O currículo é extenso apesar de ter 45 anos: também se tornou especialista em Contabilidade e Controladoria Governamental e é mestre em Gestão Pública. 

Muitos desconhecem, mas o governador é auditor concursado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e entrou para o governo estadual, em 2007, como secretário de Administração. Assumiu a Secretaria de Turismo, em 2010. No ano seguinte, é deslocado para comandar a pastaa da Fazenda onde ficou, até o início de 2014, quando foi indicado pelo partido para concorrer ao pleito. 

Muitos, pela experiência em gestão pública, o chegaram a ver como uma esperança. Em seu discurso de posse, ele repetiu a frase dita por Campos pouco antes de sua morte: “Não vamos desistir do Brasil”. E complementou: “Não vamos desistir de Pernambuco, é a minha convocação”. Na ocasião, ele ainda falou que estava disposto a contribuir para que o Brasil superasse o risco de recessão aliada a volta da inflação.  

Entre outras promessas feitas à época destaque para a construção de 20 mil novas unidades habitacionais, dobrar o salário dos professores da rede estadual e erguer ao menos uma escola de tempo integral em cada um dos 185 municípios pernambucanos. A pergunta que fica é se o governador, com a vantagem de estar com a máquina pública, vai ter a força para superar a avaliação negativa e ser reeleito ou se ele deixa o cargo como mais um político sem grandes marcas. 

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