63% dos recifenses conhecem alguém que vendeu seu voto

Mais um levantamento do Instituto de Pesquisas UNINASSAU mostra que o comércio do voto existe e independe de classe social

por Taciana Carvalho qui, 12/10/2017 - 00:00
Daniel Isaia/ Agência Brasil Daniel Isaia/ Agência Brasil

O novo estudo do Instituto de Pesquisas UNINASSAU mostra que a maior parte dos recifenses estão insatisfeitos com os políticos brasileiros, após inúmeros escândalos de corrupção virem à tona. No entanto, revela que atos indevidos são praticados pela população. 

Uma grande parte dos entrevistados, mais exatamente 63%, revelaram que conhecem alguém que vendeu o seu voto no dia da eleição contra 31% que negam conhecer quem já se rendeu a essa prática considerada crime eleitoral. 6% não souberam ou não quiseram responder. 

No entanto, quando os recifenses que participaram do levantamento são questionados se seriam capazes de trocar o seu voto por emprego ou outros benefícios, a maioria nega: 74% disseram que não trocaria de maneira nenhuma, 10% assumiram que trocariam por uma oportunidade de emprego, 4% o fariam por dinheiro e nenhum faria por remédio ou qualquer outro bem material. 12% preferiram não preferiram ou não souberam responder. 

O coordenador do Instituto de Pesquisas UNINASSAU, o cientista político Adriano Oliveira, ressaltou que a pesquisa revela que o comércio do voto existe. “Encontramos percentuais consideráveis. Poderia até ser mais, talvez o eleitor tenha ficado envergonhado, mas sempre mostrado que existe o eleitor que vende o seu voto, que existe o eleitor que troca o seu voto”, pontuou. 

Uma situação hipotética elaborada, na qual é questionada dentre três candidatos o eleitor votaria sendo o primeiro deles lhe prometeu um emprego ou para um parente; outro ofereceu uma ajuda em dinheiro e o terceiro candidato apresentou propostas, 57% disseram que votariam naquele que apresentou propostas. Em seguida, 10% afirmaram que votariam no que ofereceu emprego; 4% no que propôs dinheiro, 2% em nenhum e 27% não souberam ou não quiseram responder. 

Um dado que chama atenção é sobre a busca desse tipo de benefício independe de classe social. 4% dos que disseram que trocariam por dinheiro possuem renda familiar de até 1 salário mínimo. A porcentagem dos que também aceitariam dinheiro é ainda maior entre os que possuem acima de cinco salários mínimos: 6%. 

Adriano Oliveira explicou que esses exercícios foram elaborados para os entrevistados com base na economia comportamental e na psicologia política. “De forma a inserir o indivíduo no âmbito de que se ele trocaria seu voto por alguma coisa. Inclusive, trocar o voto por algum benefício independe da classe social. Existem eleitores que topam trocar seu voto por emprego, por dinheiro ou por algum outro tipo de favor”, enfatizou. 

A pesquisa do Instituto UNINASSAU também mostra que a maioria dos recifenses (46%) pretende, sim, votar em um candidato a deputado. Os outros 25% estão em dúvida e 23% responderam que não.

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