Caravana confirma força do ‘lulismo’, avaliam cientistas

Na avaliação da doutora em ciência política Priscila Lapa, Lula percebeu no périplo pela região em que politicamente ele é mais benquisto como uma “oportunidade” para reagir aos episódios negativos e refazer sua imagem

por Giselly Santos ter, 29/08/2017 - 15:30
Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo

A investida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Nordeste vem causando reações diversas entre aliados e oposicionistas. O reflexo disso pôde ser observado em Pernambuco, na última semana, quando entre afagos e protestos, ele foi recebido para atos no Recife e em Ipojuca, na Região Metropolitana. Sob a ótica de cientistas políticos, a caravana protagonizada por Lula confirma a força e a popularidade dele, apesar da condenação a 9 anos e 6 meses por lavagem de dinheiro e corrupção, além de outras acusações que pesam contra o ex-presidente. 

Na avaliação da doutora em ciência política Priscila Lapa, Lula percebeu no périplo pela região em que politicamente ele é mais benquisto como uma “oportunidade” para reagir aos episódios negativos e refazer sua imagem. “Toda ação tem uma reação. Em política isso é bem evidente. Há muito tempo ele vem sendo alvo de ações negativas, o que é normal diante das acusações, mas agora chegou a hora da reação e ele percebeu [na caravana] esta oportunidade para recuperar sua imagem. Essa agenda dele não é à toa. Ele veio confirmar aquilo que já vinha ensaiando que é candidato até que isso não aconteça, não se viabilize [com a condenação em segunda instância]”, salientou. 

Para Lapa, mesmo com as acusações da Lava Jato, Lula ainda é visto como “o candidato que representa o grupo de esquerda no país” e, de acordo com a estudiosa, o ex-presidente “veio testar um pouco a sua popularidade” e a tendência é de que “os votos de quem ele já tinha, do público mais cativo, não perca”. “Ele continua extremamente forte. Se fosse apenas Lula o condenado e acusado neste cenário, o eleitor diria que ele errou sozinho, mas não é isso que acontece. Além do mais, ainda é muito forte na memória do eleitor as ações implementadas por ele durante seu governo, por isso ele continua alimentando e tem grandes chances de ser eleito se for candidato e, caso não, de atrair uma boa votação [como cabo eleitoral]”, argumentou. 

A popularidade é um item que vem sendo bastante questionado diante da participação do público nas agendas de Lula. Algumas, como a de Ipojuca para sindicatos da indústria petroleira e naval, são marcadas por um esvaziamento perceptível, o que, em contrapartida, não foi visto na capital, quando aconteceu um ato em defesa da inocência dele e pela democracia no Pátio do Carmo.  

“Não devemos avaliar a vinda dele a partir da quantidade de gente que o acompanhou, isso é importante, mas com a caravana ele consegue o seu objetivo principal: manter vivo o lulismo e sua capacidade de influenciar a decisão dos eleitores. Ele tem feito uma agenda que desperta a atenção da imprensa e da opinião pública”, ressaltou o professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e cientista político, Adriano Oliveira. 

“Mesmo com as denúncias e condenação ele continua sendo um político fortíssimo e o lulismo vai estar presente em nas eleições de 2018 com capacidade de levar o PT ao segundo turno”, acrescentou, projetando. Apesar da presença na disputa, Adriano não acredita que o candidato do PT à Presidência será Lula. “Não acredito que ele seja candidato, mas o lulismo estará vivo na hora da escolha do eleitor e ele tanto vai ser cabo eleitoral em Pernambuco quanto no Brasil. Os dois candidatos do PT vão ter chances de chegar ao segundo turno com votos atraídos pelo lulismo”, observou o estudioso. 

Lula iniciou a caravana pelo Nordeste no último dia 17 e segue até o próximo dia 5, quando encerra as agendas no Maranhão. Antes de chegar a Pernambuco, onde cumpriu agenda de quinta (24) a sábado (26), ele passou pela Bahia, Sergipe e Alagoas.

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