Pesquisa: 84% dos recifenses continuam rejeitando Temer

O estudo do Instituto de Pesquisas UNINASSAU, divulgado neste sábado (12), mostra o desejo do afastamento do peemedebista da presidência do país

por Taciana Carvalho sab, 12/08/2017 - 12:00

Apesar das tentativas do presidente Michel Temer (PMDB) em diminuir o forte índice de rejeição que lhe é atribuído, parece mesmo que os recisenses estão determinados em querer tirá-lo do comando do país. O novo levantamento do Instituto de Pesquisas UNINASSAU, encomendando pelo LeiaJá em parceria com o Jornal do Commercio, divulgado neste sábado (12), revela que Temer está longe de alcançar um cenário favorável. 

O Instituto UNINASSAU perguntou a opinião de 624 entrevistados quanto à permanência do peemedebista na presidência: 84% responderam que são contra ele continuar no cargo, 12% a favor e 4% não souberam ou não quiseram responder.  

Para o coordenador do Instituto UNINASSAU, o cientista político Adriano Oliveira, a alta reprovação se deve às posições adotadas por Temer em seu governo. “Que pretende fazer reformas impopulares como a trabalhista e a previdenciária. É um presidente que tem cortado e que não tem ainda uma agenda positiva. Ele tem uma agenda positiva para a parte minoritária dos eleitores, mas não da parte majoritária dos eleitores brasileiros”, explicou. 

Adriano Oliveira destaca que esse quadro forte de rejeição tende a continuar. “Qualquer pessoa que estivesse na situação dele, em um ambiente negativo, econômico e que também que propõe reformas, teria essa dificuldade de obter popularidade. O que eu vejo é que esse quadro de rejeição forte tende a continuar podendo vir a diminuir um pouco a partir do próximo ano, mas ainda estou cético quanto a isso”, declarou. 

O comerciante José Alves, 74 anos, acredita que se Temer continuar no poder, a corrupção vai aumentar cada vez mais. O cidadão fez, como uma grande parte do povo, uma comparação entre o presidente e Lula. Alves defende a tese dos políticos que roubam, mas faz. “Temer só ficou porque pagou aos deputados. Se ele continuar, vai roubar tanto dinheiro, vai roubar 4 vezes mais. Lula podia até roubar, mas ele dividia com o podre. Por mim, Temer saia amanhã, mas não posso fazer nada”, disse conformado.

A vendedora Juliana Virense, 32 anos, também falou sua opinião. “Ele tem que sair mesmo porque tudo aumentou em um ano. Os impostos, as frutas e até a gasolina. Cortaram meu Bolsa Família. Era pouco, mas ajudava e agora estou sem nada”, lamentou. 

O estudo também destaca que os sentimentos negativos despertados quando se trata de políticos são quase unanimidade: 96,6% dos recifenses disseram sentir tristeza, raiva e insatisfação, entre outros. Apenas 1,4% afirmaram que sentem alegria, gratidão e satisfação. 1,9% não souberam ou não quiseram responder. “A crise econômica e a política interfere em seu bem estar. É um ambiente que favorece as reclamações”, disse Oliveira.  

O despachante José sente raiva e parece revoltado. “Já deveria ter saído há muito tempo (da presidência da República). Não serve para nada”, disparou se referindo ao presidente. “Que ele saia. Ele só faz por ele. É um governo safado”, complementou Vilma Maria da Silva, 49 anos. 

Contra as manifestações

Apesar da insatisfação contra Temer, o estudo mostra que a maioria dos recifenses não deseja participar de manifestações contra ele. Os que responderam que não têm vontade de ir às ruas chega a uma porcentagem de 60,3%. Disseram que sim 29,7% e 10% não souberam ou não quiseram responder. 

O vendedor de CD Sérgio Guedes, 38 anos, faz parte dos que acreditam que os protestos não resolvem nada. “Fazer o que nas ruas? Vai ter briga e não resolve nada. Eu mesma participei de uma aqui no Centro do Recife, fiquei em uma rua aqui perto, mas chamaram a polícia. Eu nunca vi tanta polícia junta. Quando foram para as ruas para tirar Dilma, conseguiram, mas foi diferente. Temer não saiu porque a classe dele é mais rica”. 

Ele também se disse decepcionado com o governo. “Um fracasso total esse Temer. O que ele fez não existe. Demos um voto de confiança e trai a gente. Só pensa no povo dele, mas não pensa no pobre. Até de madrugada ele fez reunião. Ele é esperto, sabe trabalhar”, ironizou. Por sua vez, Juliana acha que as pessoas têm medo. “Medo de participar das manifestações e ele [Temer] fazer algo pior. Já fez tanta coisa errada, né? As pessoas não querem mais sofrer”. 

Para o cientista, entre outros fatores, o dado mostra que faltam instituições organizadas que façam articulações necessários de modo a incentivar a população ir às ruas. “Observarmos que hoje existe uma alta reprovação do governo Temer, ou seja, os eleitores querem ir às ruas contra Temer, mas não vão. O que está faltando são organizações, instituições que possam mover esses eleitores que estão propensos a participar das manifestações a ir às ruas a se manifestar contra o presidente Temer”, afirmou. 

Já o próprio Temer já chegou a dizer, durante uma entrevista, que não está preocupado com popularidade. "Não estou preocupado com popularidade. Minha preocupação é o crescimento do país, a minha preocupação é o Brasil", disse na ocasião. 

As entrevistas foram realizadas nos dias 7 e 8 de agosto com pessoas, a partir de 16 anos, residentes na cidade do Recife. O nível estimado de confiança é de 95% e uma margem de erro de 4%. 

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