'Morrerei sem ter visto o país que ia inventar o novo'

O ator Matheus Nachtergaele fez um desabafo na sua página do Facebook sobre a política brasileira

por Taciana Carvalho ter, 08/08/2017 - 17:59
Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Um texto publicado pelo ator Matheus Nachtergaele, na sua página do Facebook, fica nítido o misto de lamentação, revolta e tristeza ao comentar o atual cenário político brasileiro. Ele disse que mais uma geração está condenada à miséria. "Eu achei, sim, que se ia investigar o tal Temer. A política venceu o bom senso. Uma presidente foi caçada, um país desmontado novamente, mais uma geração condenada à miséria de tudo por causa de um negócio que não saberemos qual é posto que a nós resta pagar em silêncio os impostos para a manutenção dessa babel que é Brasília", disparou. 

"Para nós não haverá escola, hospital ou transporte decente. Não haverá penicilina, nem água limpa. As chuvas inundarão pra sempre as ruas sujas e sem esgoto e as crianças nossas serão marginais, criadas no país do desamor, da cocaína, das igrejas evangélicas, do futebol a todo custo. Teremos sido o país castrado da festa e transformado em campo de guerra e feiura. Não haverá, por muito tempo ainda, nenhuma alegria que não seja conquistada apenas por nós mesmos nas reuniões singelas da dança e da festa. Teremos tido a melhor música do mundo, as mais lindas aves, as praias e a vasta fartura engolidas numa corrupção des-humanista e doente. Teremos sido o país do futebol...grande bobagem", destacou. 

O artista também disse que, em um tom que parecia de conformação, que vai continuar realizando seu trabalho e afirmou que morrerá sem ter visto o país que ia inventar o novo. "Farei isso até a exaustão de mim. É o que sei fazer como artesanato. Nas horas mansas, vou cantarolar um samba canção de arte e meus olhos vão se encher de água impura. Aos poucos, o que era o futuro será o passado, mesmo. Tendo sobrevivido a isso tudo, morrerei sem ter visto o país que ia inventar o novo. Tudo é um negócio".

"De minha parte, vou seguir fazendo filmes, peças e séries de televisão que me pareçam investigadoras do homem do brasil (com minúscula mesmo, porque estou triste ), do que poderia ter sido uma brasilidade e serei um dos arautos sinceros do que é bonito e feio em nós (...) sorte para nós", concluiu. 

 

 

 

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