Jean Wyllys defende segurança jurídica para as prostitutas

O deputado federal disse que “muitos” parlamentares usam os serviços das prostitutas e que possuem uma "postura hipócrita"

por Taciana Carvalho seg, 17/07/2017 - 16:01
Antônio Augusto/ Câmara dos Deputados/Fotos Públicas Antônio Augusto/ Câmara dos Deputados/Fotos Públicas

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL) publicou, nesta segunda-feira (17), um vídeo em que voltou a falar sobre temas polêmicos e disse que já se “habituou” a ser odiado. “Eu me habituei a ser insultado. A injúria não desaparece no horizonte da vida de um homossexual mesmo quando ele se assume e se diz orgulhoso de sua orientação. Eu criei uma estrutura de defesa, que faz com que eu tolere no Congresso Nacional as campanhas difamatórias”, contou. A publicação nas redes sociais divulgava uma entrevista concedida por ele a um veículo de comunicação. 

Jean declarou que os direitos mais difíceis de defender no parlamento são os sexuais e reprodutivos das mulheres e dos homossexuais. “Mexe com preconceitos arraigados e históricos, que vêm sendo reproduzidos ao longo de anos. A gente vive em uma sociedade que acha que a mulher é subalterna por natureza, que naturalmente o homem é superior e manda na mulher e que o corpo dela está à disposição dos homens por isso que é difícil conseguir a legalização do aborto”, declarou. 

O deputado também falou que existe no Congresso uma “postura hipócrita” em relação às prostitutas. “Porque a sociedade não acha que a mulher tem que dispor do seu corpo seja para fazer uma opção clara e consciente e adulta pela prostituição, de prestar um serviço sexual, seja para interromper uma gravidez não desejada”. Ele foi questionado pela repórter se os parlamentares utilizam o “serviço das prostitutas”. “Muitos e esses, inclusive são contra [direitos] porque é uma postura hipócrita. As pessoas não costumam ser honestas consigo mesma e nem com os outros”, disparou. 

“A imprensa já fez várias matérias sobre isso. Sobre os serviços sexuais que são prestados a congressistas, mas apesar disso, das pessoas saberem disso, disso ser comentado, muita gente lá se recusa a garantir segurança jurídica para as prostitutas para permitir que elas possam prestar esse serviço com o mínimo de segurança jurídica e com o mínimo de direito garantido”, defendeu. 

Trajetória 

Ele ressaltou também que nasceu em uma família pobre e que seu pai era alcoólatra. “Os livros me livraram dos destinos imperfeitos. Colocaram-me na posição de transformar o mundo para melhor. O pai bebia, a gente passava fome. Quando bebia ficava agressivo. Foi uma relação com meu pai muito complicada e minha mãe me ensinou muito cedo que a gente só teria alternativa de mudança de vida estudando”, frisou. 

Ele, que se elegeu pela primeira vez em 2010, disse que fez uma “campanha invisível”. “Não tinha tempo de TV e de rádio, fiz com meus recursos próprios os folders e usei as redes sociais. As eleições no Brasil não são algo livre da força dos constrangimentos econômicos, da força da grana. O que decide a eleição é dinheiro”. Ainda lembrou que já recebeu diversas ameaças de morte. “Não estou dizendo que as ameaças partam dos deputados, mas muitos deles estimulam promovendo a difamação”, explicou. 

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