Lava Jato quer 'desmoralizar homens de bem', dispara Renan

Para o senador peemedebista, a condução da investigação tem ferido os direitos da democracia. Renan ainda disparou contra a atuação do MPF

por Giselly Santos qui, 20/04/2017 - 14:59
Edilson Rodrigues/Agência Senado Citado em delações premiadas da Odebrecht, Renan ainda criticou os depoimento colaborativos Edilson Rodrigues/Agência Senado

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) afirmou, nesta quinta-feira (20), que a condução da Lava Jato tem ferido os direitos da democracia. Em discurso no plenário, o peemedebista  citou uma série de juristas que tem manifestado posições críticas à forma como vem sendo conduzida a operação Lava Jato, da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF).

“Presenciamos o envenenamento da democracia pelo açodamento em desmoralizar homens públicos de bem, condenados antes mesmo do processo se instaurar, afrontando o poder eleito. Este é o grande engodo das cruzadas moralistas. A generalização deixa marcas em inocentes e os abusos soterram direitos fundamentais”, declarou, citando antes a análise do jurista Lenio Streck para quem a Lava Jato é "uma performance, uma marca, como se fosse uma série de TV".

Seguindo a linha dura na análise das investigações, o senador salientou o que chamou de “perfil político-ideológico” do MPF. Segundo Calheiros, a característica  “tem ficado evidente" nas ações do órgão. Para o parlamentar, há um "arrastão para desmoralizar homens públicos de bem", baseados em "insinuações maliciosas, inculpações precárias e acusações débeis".

"Denúncias precárias e pedidos de abertura de novos inquéritos surgem exatamente quando o Congresso se debruça sobre o projeto de lei que pune o abuso de autoridade e busca soluções para a sangria salarial provocada pelos auxílios inconstitucionais auferidos pelos membros do Ministério Público. São iniquidades contra o Parlamento", acusou.

Citado em delações premiadas da Odebrecht, Renan ainda criticou os depoimento colaborativos. Para ele, a maioria das delações da Lava Jato padecem de "vício de origem", por não serem espontâneas. No caso da delação do executivo Claudio Melo, da Odebrecht, para Renan o registro em vídeo deixa clara a insistência do procurador em vincular seu nome a alguma irregularidade. “Mas como não tinha nada de criminoso pra relatar, o executivo disse ter entendido que terceiros falavam em meu nome, algo que jamais autorizei”, disse.

Renan também chamou de "aberrações jurídicas" o inquérito e o pedido de instauração de processo criminal a que responde no âmbito da Lava Jato, informando já ter apresentado sua defesa preliminar. O senador chamou a denúncia de "sem substância" justamente por se basear na "cantilena de terceiros" falando em seu nome.

“Denúncia precária e abertura de novos inquéritos surgem justamente quando o Congresso analisa propostas que punem o abuso de autoridade, e busca soluções para a sangria salarial provocada pelos auxílios inconstitucionais auferidos pelos procuradores”, disse o senador.

Em apartes, a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) também disse "estranhar" a condução dada às delações de executivos da Odebrecht. Para ela, tal metodologia indica que "não querem combater a corrupção, ao fazer acusações generalizadas". Jorge Viana (PT-AC) também disse que "parece que tem gente, inclusive no Congresso Nacional, que apoia o abuso de autoridade".

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