Pará é o 4º no ranking nacional de pessoas com hanseníase

Médico alerta para a importância do diagnóstico precoce e informa que tratamento correto leva à cura da doença

por Rosiane Rodrigues seg, 11/02/2019 - 14:44
Rosiane Rodrigues/LeiaJáImagens Médico Mário Albuquerque: conscientização é fundamental Rosiane Rodrigues/LeiaJáImagens

Pesquisa realizada pelo Instituto Datasus mostrou que em 2018 foram registrados 2.125 casos de pacientes com hanseníase no Brasil. Especialistas afirmam que o diagnóstico precoce e o avanço nas informações são fundamentais para o combate da doença. 

Em Belém, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o Programa de Controle da Hanseníase (ações preventivas, diagnósticos e tratamento da doença) está implantado em 100% das unidades de saúde do município e os casos de hanseníase vêm caindo. A Sesma destacou que, no ano de 2017, 82,95% dos pacientes atendidos pela rede municipal alcançaram a cura e apenas 4,61% abandonaram o tratamento. Os números, afirma a Sesma, são considerados bons segundo parâmetros do Ministério da Saúde, que aceita até 10% de abandono de tratamento.

Mário Albuquerque, médico de família e comunidade, explicou que a conscientização é primordial para o sucesso do tratamento da doença. "É uma doença infectocontagiosa, uma doença negligenciada, em que o tratamento precoce é fundamental. Se a população não estiver ciente do que são os sintomas suspeitos, de quando procurar um médico, acaba postergando o início desse tratamento, e o doente sem o tratamento vai continuar transmitindo a doença para outras pessoas", justificou.

O médico disse que, apesar de a hanseníase ser uma doença em que o sintoma característico é a lesão de pele, a forma de contrair a doença é somente pelas vias respiratórias, através do contato com as gotículas oronasais de um paciente contaminado e sem tratamento. "É através de gotas presentes em nossa árvore respiratória que vão acabar transmitindo de uma pessoa para a outra. Porém, esse contato tem que ser contínuo e prolongado. Não é num contato rápido que você vai adquirir a doença. Geralmente as pessoas que estão em maior risco são aqueles contatos domiciliares, quem mora na mesma casa do paciente. Essa é a única forma de transmissão", disse o médico.

Segundo o médico, o diagnóstico da hanseníase é eminentemente clínico. "Você tem uma lesão suspeita, é uma lesão de pele, uma macha mais clara, com alteração de sensibilidade ao frio, ou ao calor, ao tato, ou dor, e o diagnóstico é feito procurando o médico. O médico vai fazer o exame físico mais detalhado desse paciente para ter o diagnóstico definitivo", explicou.

Hanseníase tem cura e o tratamento, com antibióticos, é totalmente gratuito. O tempo varia de seis a doze meses, de acordo com a forma clinica da doença. De acordo com o médico, quanto antes o paciente inicia o tratamento, menores serão as chances de alguma sequela definitiva no futuro.

O médico Mário Albuquerque explicou que a hanseníase é um problema de saúde pública e que o médico de família, que está nas unidades básicas de saúde, está totalmente capacitado para fazer o diagnóstico dos paciente com a doença. Só seguem para os dermatologistas, ou centros de referências, os casos mais complexos, casos que tenham algum tipo de complicação. 

Para Mário, o primordial quando se fala de educação em saúde, referente à hanseníase, é enfatizar a importância do tratamento precoce e conscientizar a população da importância do tratamento. "O Brasil é o segundo país, em nível mundial, em casos da doença, ele perde apenas para a Índia. O Pará é o quarto Estado, e muito disso se atribuiu justamente à falta de informação", avaliou.

Outro ponto que o médico destacou foi com relação ao preconceito. "Por muito tempo a hanseníase era chamada de lepra e isso trouxe estigma muito grande para a doença. Os doentes eram isolados da sociedade e culturalmente essa mentalidade continua até os dias de hoje na nossa sociedade. Não há necessidades de você isolar esse paciente, muito menos ter qualquer tipo de preconceito, pois assim que ele inicia o tratamento já deixa de transmitir a doença. Nesse momento crítico o apoio familiar e o apoio das pessoas próximas é fundamental para que nós tenhamos uma melhor assistência à saúde desse paciente", disse o médico.

Mário ressaltou que, em sua experiência prática, avaliou que muita das vezes a questão psicológica, social, é muito mais importante para esse paciente do que a questão física. "Às vezes ele nem sente tanta dor, tanta incapacidade, mas o preconceito, isolamento das outras pessoas, acaba influindo de forma muito drástica nesses pacientes", concluiu.

 

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