Ação social leva atendimento e cursos à periferia de Belém

Núcleo de Responsabilidade Social da UNAMA - Universidade da Amazônia visita comunidade do bairro de Águas Lindas e oferece serviços de saúde, apoio jurídico e técnicas de pedreiro

sex, 16/11/2018 - 17:28

Os moradores do bairro de Águas Lindas, em Belém, receberam a visita do Núcleo de Responsabilidade Social da UNAMA - Universidade da Amazônia, que promoveu cursos e realizou atendimentos em diversas áreas. A ação ocorreu no centro comunitário Bairro Verdejante, na manhã do último sábado.

No centro comunitário, que existe há mais de 20 anos, são desenvolvidas algumas atividades esportivas e culturais, como balé, caratê e capoeira, realizadas através de parecerias com pessoas e organizações. É assim que a associação mantém os seus projetos. “Essa parceria com a UNAMA é muito importante para a comunidade porque é uma região carente em tudo. Em especial, porque havia o lixão do Aurá, aqui perto, e após o fechamento do lixão muitas famílias ficaram sem sua fonte de renda. Então, a gente sempre busca essas parcerias para cursos e qualificação dessas pessoas que ainda estão de fora no mercado de trabalho. Não só as que trabalhavam no lixão, mas outras pessoas também, especialmente os jovens que não têm oportunidade de emprego”, disse João Batista Ribeiro, presidente da Associação dos Moradores do Verdejante I, II e III.

A ação faz parte do projeto “Universidade na comunidade” e ocorre todos os anos, sempre no segundo semestre. “Oferecemos para a comunidade os nossos serviços de saúde, de educação e orientação jurídica. Primeiro é feita uma visita na comunidade para verificar quais demandas são necessárias. A partir dessa conversa, das demandas estabelecidas, nos organizamos e trazemos o que temos de melhor”, afirmou Rachel Abreu, professora do curso de Ciências Sociais e integrante do Núcleo de Responsabilidade da UNAMA.

Rachel destaca a importância de eventos como esses na comunidade. “Dessa vez foi a comunidade que nos procurou. Se a comunidade nos procurou é porque nosso papel de responsável social está sendo reconhecido. Em outros anos nós abrimos a porta da universidade para receber a comunidade e dessa vez a comunidade solicitou nossos serviços, nossa atenção, nossa educação, nossa orientação, e nós viemos. E isso mostra o quanto estamos comprometidos com a sociedade e como ela está legitimando nosso reconhecimento a partir de nossas ações sociais”, declarou.

Para Emerson Rodrigues, professor de engenharia da UNAMA, ações como essa são uma forma de levar o conhecimento da universidade para a comunidade. “Esta comunidade pertence à área do parque do Utinga e, como estamos estreitando uma relação com o parque, que foi desenvolvido para mostrar a preservação ambiental e as riquezas da nossa cidade, o fato de estarmos aqui hoje também é muito importante para que nós possamos estar dentro do parque promovendo outras ações e serviços para a comunidade”, disse o professor, que também integra o Núcleo de Responsabilidade Social da UNAMA.

Mike Pereira, professor de Engenharia da UNAMA, e também do Núcleo, contou como o curso de Engenharia Civil colaborou para a ação. “Trouxemos capacitação em aplicação de produtos de impermeabilização, reboco e produtos de engenharia, o que a gente chama popularmente de curso de pedreiro, uma forma de tentar capacitar a mão de obra para esse serviço e tentar gerar uma renda para essas pessoas. Convidamos uma empresa de indústria de argamassa, a SuperMassa, para vir oferecer esse curso com aplicação de produtos industrializados. Eles trazem os produtos e assim conseguem trazer essa tecnologia de aplicação de argamassa e de impermeabilização de maneira mais correta”, explicou o professor.

Para o professor, a comunidade é carente e essa capacitação é muito importante. “Uma comunidade como o Verdejante ainda precisa de muitos serviços. Serviços de professores, de técnicos e de alunos. A UNAMA tende a estreitar essa relação com a comunidade, para tentar oferecer para ela um pouco mais de dignidade e de serviços públicos que ainda são muitos carentes nessa comunidade”, disse.

A SuperMassa, fábrica de produtos da construção civil, também apoiou a ação e apresentou soluções para problemas comuns no cotidiano da comunidade, como infiltrações e reparos na parede. “A gente entende que a mão de obra local necessita disso. Temos a intenção de estender essa parceria com a comunidade, entrar em contato com o líder comunitário e nos próximos eventos fazer algo mais amplo. A maioria das casas apresenta umidade, em quase toda a casa, e nós viemos desmitificar e mostrar como se soluciona esse problema da forma correta. Então é muito importante nossa atuação aqui”, disse Carlos Eduardo Ferreira, coordenador de operação da SuperMassa, que ministrou o curso de pedreiro para os moradores.

Leonardo Cabral, morador da comunidade que participou do curso de pedreiro, achou a iniciativa do curso positiva e parabenizou a equipe. “Aprendemos coisas que a gente não sabia, com o curso de pedreiro. Fiquei muito grato. O curso é muito importante porque tem muita gente que não é habilitada como pedreiro, mas faz pequenas reformas e já vamos passando para os nossos filhos”, afirmou.

Nathalie Mendes, professora do curso de Enfermagem, explicou de que forma o curso fez sua colaboração. “Nós trouxemos aparelhos para verificar a pressão, glicemia, peso e altura e trema para verificar a circunferência abdominal. Então dá para fazermos uma avaliação legal das pessoas, além de orientação sobre o que é hipertensão e diabetes”, afirmou.

Quem foi atendido pelo grupo de Enfermagem agradeceu. “Acho muito bom as pessoas estarem aqui para fazer a verificação da pressão. Gostaria que tivesse toda vez para a gente vir, porque para ir ao posto para tirar pressão é uma calamidade”, disse Valdeci Mesquita, pedreiro, morador do bairro.

O curso de Nutrição também esteve presente, conscientizando a comunidade para a alimentação saudável. “Estamos trazendo informações de como devem se alimentar melhor, a fim de melhorar alguns sinais de glicemia ou de pressão arterial que estejam alterados e promover informações sobre diabete e pressão alta, para prevenir esse tipo de doença. E, também, trazendo um aproveitamento melhor dos alimentos de casa, que vai influenciar, de maneira geral, no bolso deles e ainda melhorar a saúde deles”, disse Fernando Rolo, nutricionista responsável pelo estágio de Nutrição no Hospital Universitário João Barros Barreto.

Eric Cavalcante, fisiologista e professor de Educação Física da UNAMA, esteve presente fazendo a avaliação e prescrição de atividades físicas para grupos especiais. “Observamos quem tem algum distúrbio com relação ao peso, em relação a pressão arterial e distúrbio em relação ao açúcar no sangue. Dentro desses distúrbios os alunos prescrevem atividade física, porque a atividade física é remédio, para que essa pessoa possa associar à medicação e melhorar suas condições de saúde”, afirmou.

A dona de casa Adrialva Ferreira disse que deveria haver mais eventos como esse na comunidade. “Acho que se nós da comunidade tivéssemos isso mais vezes, ia ser melhor. Porque no posto de saúde tem, mas é uma burocracia muito grande até para a gente tirar a pressão. Aqui pesei, medi, tirei a pressão e verifiquei o açúcar no sangue”, explicou.

Para Vania Aviz, moradora do bairro, o atendimento veio na hora certa. “O atendimento foi ótimo. Sofro de enxaqueca e fui encaminhada para a UNAMA da Alcindo Cacela, segunda ou terça já vou lá. Nunca faço avaliação física, mas pretendo fazer a partir de agora”, afirmou.

O Núcleo de Práticas Jurídicas (NPJ) orientou a comunidade sobre questões judiciais  na área cível. “É fundamental trazer esse atendimento para a comunidade, porque essas pessoas não têm como pagar advogados. O acesso público, que elas têm, é junto à Defensoria, mas a Defensoria tem uma fila muito extensa. Em média, aguarda-se por volta de cinco meses para ser atendido. E o nosso atendimento, aqui, é imediato. Se ele trouxer todos os documentos daremos entrada no processo ainda essa semana”, concluiu Graça Penelva, professora de Direito Tributário da UNAMA e que faz parte do NPJ.

Por Rosiane Rodrigues.

 

COMENTÁRIOS dos leitores