Aldeia: Jussara confessou ter matado médico, diz advogado

Mulher contou em novo depoimento que matou sozinha o marido após descobrir no dia anterior que ele mantinha um relacionamento extraconjugal

ter, 04/09/2018 - 09:01
Reprodução/Facebook Jussara e Denirson estavam casados há mais de 30 anos Reprodução/Facebook

A farmacêutica Jussara Rodrigues, de 55 anos, confirmou para a Polícia Civil ter assassinado e ocultado o cadáver do marido, o médico Denirson Paes, em Aldeia, Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. Em seu depoimento, prestado na última segunda-feira (3), Jussara, entretanto, disse ter cometido o crime sozinha, sem ajuda do filho Danilo Paes Rodrigues, que também foi indiciado.

A informação foi repassada pelo advogado de Jussara, Alexandre de Oliveira. O advogado diz que sua cliente confessou o crime ainda na sexta-feira (31). “Eu tive acesso ao inquérito policial e vi que as informações repassadas por ela não condiziam com o resultado das perícias. Pedi que ela me contasse a verdade. Assim que ela confessou, eu liguei para a delegada”, explicou Alexandre de Oliveira ao LeiaJá.

Segundo o advogado, Jussara cometeu o homicídio porque descobriu um dia antes que estava sendo traído por Denirson. “Eu vou aguardar agora como vamos proceder. Hoje ou amanhã Danilo deverá ser ouvido pela delegada”, complementou Alexandre.

Danilo, o filho mais velho, foi apontado como autor do homicídio e da ocultação de cadáver juntamente com Jussara. A polícia encontrou uma grande presença de sangue, por exemplo, no guarda-roupa dele. Outro indício da participação dele no crime é devido à esganadura sofrido pelo médico. Segundo Fernando Benevides, perito criminal, a esganadura exigiria força e, portanto, Denirson seria o provável responsável. A delegada Carmen Lúcia, responsável pelo caso, também se surpreendeu com a frieza de Danilo ao descobrir que o pai estava morto. Assim que encontraram os restos mortais, o filho foi buscar o diploma, dando entender o interesse em conseguir uma cela diferenciada na prisão. 

"Mãe, me ajuda"

Danilo Paes, o filho acusado de participação no homicídio, já no Cotel, por efeito de mandado de prisão temporária, pediu para enviar um áudio para a mãe. Disse ele na gravação: "Eu imploro. Mãe, por favor, me ajuda. Ou ela assume ou a desgraça vai ser completa".

Para a polícia, o áudio indica uma autodefesa de Danilo e um conhecimento de como o crime se deu. A mãe se recusou a ouvir o áudio.

Conclusão

A conclusão do caso foi apresentada na última sexta-feira (31) em uma coletiva de imprensa da Polícia Civil. A delegada Carmen Lúcia concluiu que as motivações do crime foram o relacionamento extraconjugal de Denirson, a iminente separação do casal e a consequente perda do padrão de vida da mulher. 

Conforme a investigação, entre o dia 30 e o dia 31, Denirson foi asfixiado em seu quarto.  O corpo foi arrastado por cerca de seis metros até um corredor na área externa, onde houve uma tentativa fracassada de carbonização e, em seguida, a serragem em duas partes do corpo. Nos dias seguintes ao desaparecimento do médico, Jussara e Danilo relataram fortes dores no corpo. O filho, inclusive, assistiu aos jogos da Copa do Mundo deitado em um colchão por causa de dores nas costas. 

Premeditado

O crime, deduziu Carmen Lúcia, teria sido premeditado. Um dos indícios é a morte do cachorro do médico, ainda em abril. 

A história foi contada por Daniel Paes, filho caçula que não teria participado do homicídio. “Ele chegou em casa e a mãe disse que o cachorro estava doente. Ele encontrou o cachorro espumando, trêmulo e sem conseguir se levantar. A mãe disse que havia sido um remédio dado por Denirson. Daniel estranhou, mas deixou para lá”, recordou a delegada na coletiva.

Uma das suspeitas é que o cachorro tenha sido envenenado para que não atrapalhasse o plano. O animal poderia, por exemplo, farejar o corpo do dono.

Outro indício foi a folga dada para os empregados justamente no dia da morte de Denirson. “Um jardineiro contou que trabalhava há três anos lá e nunca tinha recebido folga”, diz Carmen Lúcia.

O caso - No dia 20 de junho, a esposa do médico foi até a Delegacia de Camaragibe para registrar o desaparecimento do companheiro supostamente ocorrido no dia 31 de maio. Ela alegava que o marido teria viajado e não mais voltado ou dado notícia. A polícia começou a suspeitar dos próprios familiares pois ela demorou para relatar o desaparecimento já que o médico estava sumido há mais de duas semanas, e não havia movimentação na conta bancária dele.

Quando os restos mortais foram encontrados, no dia 4 de julho, o filho mais velho teria dito que o pai poderia ter se suicidado. O Instituto de Criminalística fez uma perícia que apontou vestígios de sangue em dois banheiros e um corredor da casa. Foi constatado ainda que o local passou por profunda limpeza e que havia sinal de arrastamento no corredor que dá acesso à cacimba. Os peritos constataram, ainda, que areia e brita foram jogadas na cacimba. 

Jussara e Danilo foram encaminhados para audiência de custódia pelo crime de ocultação de cadáver. Mãe e filho conseguiram a liberdade, mas antes que deixassem o fórum foram presos através de um mandado de prisão temporária por homicídio.

LeiaJá também

--> Caso Aldeia: relacionamento extraconjugal motivou crime 

--> Caso Aldeia: a foto em que Jussara demonstrou culpa

COMENTÁRIOS dos leitores