Caso Beatriz: dois anos e meio e nenhuma resposta

São exatos 943 dias sem solução e ninguém preso pelo crime

dom, 10/06/2018 - 08:11

Dez de dezembro de 2015. Beatriz Angélica Mota Ferreira da Silva. Sete anos. Assassinada com 42 facadas. Dois anos e meio de espera e nenhuma resposta. São exatos 943 dias sem solução e ninguém preso pelo crime.

Beatriz estava festa de formatura do colégio onde estudava, o Auxiliadora, em Petrolina, no Sertão pernambucano, quando foi brutalmente assassinada. A última imagem que a polícia tem da garota foi registrada às 21h59 do dia crime, quando ela teria ido beber água em um bebedouro próximo da quadra onde acontecia o evento. Em seguida, ela some. Minutos depois, o corpo foi encontrado em uma sala de material esportivo desativada.

Durante as investigações, foram encontrados dois perfis de DNA masculino, um na faca utilizada para matar Beatriz, e outro na unha da menina. O caso já foi investigado pelo delegado Marceone Ferreira e pela delegada Gleide Ângelo. Atualmente, o inquérito está sob a responsabilidade da delegada Polyanna Neri, Gerente de Controle Operacional do Interior 2. 

Em fevereiro de 2016, dois meses após o crime, a Polícia Civil de Pernambuco divulgou o retrato falado de um homem suspeito de cometer o crime. Na época, a polícia informou que a imagem foi feita com base no depoimento de três testemunhas, entre elas, a mãe da garota, Lúcia Mota. A polícia disse, também, que não desacartava a participação de mais uma pessoa no assassinato.

Um mês depois, em março de 2016, o delegado responsável pelo caso na época, Marceone Ferreira, informou que a perícia apontou que cinco pessoas participaram do crime. Elas eram funcionárias do Colégio Auxiliadora, onde Beatriz estudava. Em maio, o promotor que acompanha o caso, Carlan Carlo da Silva, afirmou que o assassinato pode ter motivação religiosa. Segundo ele, a morte pode ter sido motivada para atingir a instituição católica, onde ocorria a festa. 

Em agosto de 2016, representantes das Polícias Civil e Científica de Pernambuco se reuniram com especialistas da Polícia Técnica da Bahia para discutir as investigações da morte de Beatriz. Em setembro, foi divulgado um vídeo que mostra imagens de um dos suspeitos de participar da morte da garota. Já em dezembro, a delegada Gleide Ângelo assumiu o caso.

Três meses depois, em março de 2017, a Polícia Civil divulgou imagens que mostram com detalhes um dos suspeitos de assassinar Beatriz Angélica. Há um ano, em junho de 2017, foi criada uma comissão especial para acompanhar de perto a apuração do caso. A responsável pela criação foi a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Juazeiro, na Bahia.   

Em novembro daquele ano, a Polícia Civil de Pernambuco solicitou o apoio da Polícia Federal para prender o criminoso que matou Beatriz Angélica. No mesmo mês, a delegada Gleide Ângelo deixou o caso e assumiu a Diretoria da Mulher de Pernambuco. As investigações, desde então, estão por conta da da delegada Polyanna Neri, Gerente de Controle Operacional do Interior 2.

Em maio deste ano, a mãe da garota, Lúcia Mota, anunciou a pré-candidatura como deputada estadual. “A partir daquele dia [que foi à Delegacia depor sobre a morte de Beatriz], eu entendi que para se resolver o caso de Beatriz e para se resolver todos os casos de violência dentro do Estado Pernambuco, precisa-se de políticos. No início alguns repórteres da região me perguntaram se eu teria intenções políticas e eu deixei isso bem claro: a partir do momento em que eu não me sentisse representada politicamente, eu seria uma opção. A partir de hoje eu direi, eu sou uma opção para Pernambuco”, declarou, na época. 

Durante todos esses anos, a família de Beatriz realizou diversos protestos cobrando respostas sobre o crime, que continua sem solução. Nós procuramos os familiares da garota, mas não conseguimos retorno. O LeiaJa.com também tentou obter informações atualizadas sobre a ocorrência e também conversar com a delegada Polyanna Neri, mas a Polícia Civil informou que o caso Beatriz corre sob segredo de Justiça e que, por este motivo, não pode, por determinação de lei, se pronunciar sobre as investigações. A polícia disse, ainda, que "as investigações continuam a ser realizadas no firme intuito de prender o responsável por esse brutal assassinato".

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