Surto de conjuntivite em PE é o pior dos últimos dez anos

Os casos confirmados até o dia 14 de maio de 2018 já ultrapassam todo o ano de 2017

por Jorge Cosme qua, 16/05/2018 - 17:07
Jorge Cosme/LeiaJáImagens Na Fundação Altino Ventura, unidade referência, as filas para atendimento são gigantes Jorge Cosme/LeiaJáImagens

Pernambuco vive um grande surto de conjuntivite que os médicos ainda não conseguem explicar o porquê. Até o último mês de abril, o estado ultrapassou a marca de casos registrados em todo o ano de 2017. Esse é o pior surto, pelo menos, em uma década. Historicamente, neste período do ano, os casos começariam a cair, mas isso não está ocorrendo.

Os números são da Fundação Altino Ventura (FAV), unidade do Sistema Único de Saúde (SUS) referência no atendimento oftalmológico no Nordeste. Até o dia 14 de maio, a FAV contabilizou 37097 casos de conjuntivite. Em 2017, foram 27.281.

A unidade, que funciona 24 horas, está com filas imensas na urgência. Em um período de 24 horas, a unidade já chegou a fazer 1400 atendimentos gerais. Anterior a esta marca estava os 998 atendimentos em um dia do ano de 2009. 

A quantidade de pessoas que não para de chegar tem deixado os especialistas da FAV exaustos. “Não temos capacidade física para esse número de atendimento de pacientes”, resume a oftalmologista Edilana Sá. As filas gigantes fazem com que pessoas que tenham procurado a unidade para outro tipo de enfermidade fiquem passíveis de também contrair conjuntivite. “Está uma condição insalubre”, confessa Edilana. 

Em abril, a FAV e a Secretaria de Saúde de Pernambuco realizaram um treinamento com120 médicos de Unidades de Pronto Atendimento (UPA) da Região Metropolitana do Recife (RMR), para que haja uma descentralização dos atendimentos. “Nós estamos esperando que a secretaria de saúde nos mande a relação das unidades que estão disponíveis para que possam fazer esse atendimento”, diz Adriana Gois, também oftalmologista da fundação.

O analista de sistemas Edielson Leite veio de Jaboatão dos Guararapes, na RMR, e chegou ao hospital por volta das 9h. Foi atendido às 15h45. “O atendimento até está rápido, mas é muita gente”, ele resume. Com os olhos muito vermelhos, Rafaela da Silva está com os sintomas há dois dias e foi à Fundação após recomendação do chefe. “Pego ônibus e sou recepcionista, então estou o tempo todo mantendo contato com pessoas”, diz, refletindo sobre como teria contraído a doença.

A forma da conjuntivite que tem aparecido em grande quantidade é a viral, que costuma ir embora cinco a sete dias depois. Edilana recomenda: “O paciente acometido com a conjuntivite deve evitar ambientes públicos para evitar contaminação. As pessoas devem lavar as mãos e evitar levá-las aos olhos. Pode-se usar lenço descartável e evitar compartilhar objetos de uso pessoal. Onde o paciente toca com a secreção dos olhos, corre-se o risco de contrair a doença”. 

Segundo levantamento da FAV, abril teve 15153 casos de conjuntivite este ano contra 691 no mesmo mês em 2017, isto equivale a um aumento de mais de 2000%. Ainda não se sabe o que está causando o aumento incomum. 

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