Emoção marca missa dos 30 dias da morte de Marielle Franco

A cerimônia realizada no final da manhã deste sábado (14), na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, foi marcada por homenagens à vereadora e ao motorista Anderson Gomes

por Mellyna Reis sab, 14/04/2018 - 16:17
Mellyna Reis/LeiaJáImagens Durante a celebração, o padre Silmar Fernandes declamou um poema que escreveu para Marielle Mellyna Reis/LeiaJáImagens

Uma cerimônia marcada por muita emoção reuniu familiares e amigos da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada há um mês, quando voltava de um evento na Casa das Pretas, na Lapa. A missa celebrada no final da manhã deste sábado (14), na Igreja de Nossa Senhora da Antiga Sé, no centro do Rio, também lembrou o motorista Anderson Gomes, morto na ação. 

Várias homenagens foram prestadas durante a celebração conduzida pelo padre Silmar Fernandes. O pároco da igreja dedicou o momento da leitura do evangelho para exaltar a atuação da parlamentar na defesa dos direitos humanos, principalmente da população pobre e negra das favelas do Rio, e criticou a postura do governo por destinar a maior parte dos recursos à compra de armas em vez de políticas sociais. "A sua denúncia se tornou um sopro e um clamor para aqueles que ninguém ouve", enalteceu.

O padre também recitou um poema que escreveu para Marielle, a quem se referiu como a vereadora dos turbantes coloridos. "Foram quatro balas, disparadas dos covardes que alvejaram a tua cabeça. Não a tua alma, ávida, sem medo. Era noite de chuva fria no Estácio. Quatro balas e um gatilho cruel numa rua escura do Rio não apagaram tua luz, nem as cores do teu espírito".  

Após os ritos ecumênicos, foram distribuídas rosas brancas e vermelhas aos presentes, seguido por um tributo de músicas cantadas pelo coral da igreja para lembrar as lutas encampadas pela vereadora. O pai de Marielle, Antônio Francisco, disse que essas demonstrações de afeto estão ajudando a família a seguir adiante. "Essa força nós estamos tirando das homenagens, dos ombros amigos que temos recebido para poder chorar nossa dor. Isso tem amenizado um pouco, mas continuamos aguardando essa definição de quem mandou, quem fez, por quê?", ressaltou. 

A mãe da vereadora, Marinete da Silva, recorre à fé para suportar a dor do momento, mas demonstra confiança no trabalho da polícia. "É uma força que a gente está procurando em Deus mesmo para conseguir sobreviver, porque é duro. São 30 dias numa espera dessa certeza que a gente vai conseguir resolver de alguma maneira, para mim, para sociedade, para família toda, princialmente. A gente espera que alguém tenha uma resposta porque o que fizeram com a minha filha foi cruel, foi muito doloroso".      

A família de Anderson Gomes, que não esteve presdente na cerimônia por estar em um retiro espiritual, marcou para a próxima segunda-feira (16) uma missa em homenagem ao motorista. A polícia ainda não revelou suspeitos de cometer o crime, mas a principal linha de investigação aponta para o envolvimento de grupos de milicianos. O inquérito segue sob sigilo da justiça.  

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