Sem emprego, pernambucanos recorrem ao comércio informal

Pernambuco tem a maior taxa de desemprego no Brasil, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

por Lorena Andrade seg, 09/04/2018 - 14:35

723 mil. É essa a quantidade de pessoas desempregadas em Pernambuco. O número equivale a 17% da população do Estado. É a segunda maior taxa de desemprego no Brasil, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados são referentes a 2017. Pernambuco fica apenas atrás do Amapá, com 17,7% desocupados.  

Para driblar o desemprego, milhares de pessoas encontram no comércio informal uma alternativa de renda. Com uma rotina incerta nas ruas ou no transporte coletivo, os chamados vendedores ambulantes apostam na criatividade para conseguir conquistar os clientes. Os produtos são variados e vão de chocolate, água, sorvete e caldo de cana até fone de ouvido e carregador de celular. 

Acostumado a recolher os lixos da cidade de Paulista, na Região Metropolitana do Recife, função que desempenhou por mais de 15 anos, o gari Aécio Flávio da Silva, 45 anos, foi demitido há um ano e meio. Responsável pelo sustento da esposa, que também está desempregada, e dos três filhos, Aécio se viu sem saída ao buscar emprego e não encontrar. Encontrou no trabalho informal uma solução temporária ao desemprego. 

São mais de 12 horas de trabalho por dia vendendo água. Áecio consegue vender, em média, 120 garrafas diariamente, cada uma a R$1. “Eu ganhava mais como gari, mas o que posso fazer, né? preciso alimentar a minha família e não posso ficar sentado esperando”, afirma.  

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De acordo com o IBGE, desde 2015 a taxa de desocupados em Pernambuco só cresce. Ainda segundo o Instituto, a taxa de desemprego do Brasil tem caído, mas mais de 13 milhões de pessoas ainda continuam desempregadas. 

Persistente, o vendedor ambulante Leonardo Oliveira, 29 anos, está desempregado desde 2012 e, de lá pra cá, rotineiramente visita a Agência de Empregos de Abreu e Lima, no Grande Recife, na esperança de ver a sua carteira de trabalho assinada novamente. São seis anos de uma espera que tem ficado ainda mais amarga com a aproximação da chegada do seu primeiro filho, que nasce em junho. “Continuo em busca de um emprego e não vou desistir, mas tive que encontrar essa outra opção para poder sustentar minha casa e meu filho que já já vai nascer. Fico muito preocupado com essa situação toda”, revela. 

Pilotando uma ‘moto-lanchonete’ pelas ruas de Paulista, Victor Vinícius Santana, 21 anos, vende coxinha, empada, pastel e caldo de cana. Técnico em informática, Victor teve a carteira assinada por dois anos e há três meses foi demitido. Vender os lanches na rua surgiu como opção e ele agarrou a oportunidade. “Eu estava numa situação muito difícil, então aceitei esse trabalho. É mais cansativo e trabalho mais, mas não posso ficar parado. Tá dando para se virar. Também faço alguns bicos nas horas vagas”, conta. 

O LeiaJa.com entrou em contato com a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Trabalho e Qualificação (Sempetq), mas não obtivemos resposta. 

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