Alzheimer: sono ao longo do dia pode ser sinal da doença

Mais de 280 pessoas sem demência e com mais de 70 anos foram selecionadas para responder perguntas sobre seus hábitos de sono e participaram de exames cerebrais de amilóide durante sete anos

seg, 12/03/2018 - 18:41
Cristian Bustos/Pixabay Entre as pessoas no estudo, 22% relataram problemas com a sonolência diurna, um sinal de sono desordenado Cristian Bustos/Pixabay

Doença neurodegenerativa e incurável, o Alzheimer provoca destruição progressiva e irreversível dos neurônios. A doença atinge, geralmente, pessoas com mais de 65 anos, sendo uma das principais causas de demência nos idosos. Por isso, muitos pacientes demoram muitas vezes até anos para receber o diagnóstico da patologia. Muitos chegam a confundir os sintomas com o processo natural de envelhecimento.

De fato, apontam os especialistas, a perda de memória faz parte do envelhecimento e nem todo problema relacionado à memória precisa, necessariamente, estar ligado ao Alzheimer. Mas é preciso estar atento a outros sintomas que podem ser grandes indicadores da doença. Em um último estudo realizado por pesquisadores da revista JAMA Neuroly, os cientistas apontaram que o sono excessivo, especialmente a sonolência diurna, pode ser um grande indicador da doença. 

A pesquisa foi feita pela professora Prashanthi Vemuri com quase 3000 idosos no Mayo Clinic Study of Aging e divulgada nesta segunda-feira (12) pelo portal americano Time. 283 pessoas sem demência e com mais de 70 anos foram selecionadas para responder perguntas sobre seus hábitos de sono e participaram de exames cerebrais de amilóide durante sete anos - período do estudo. Entre as pessoas que participaram da pesquisa, 22% relataram problemas com a sonolência diurna, um sinal de sono desordenado. 

Após comparar os voluntários desde o início do estudo até o fim, Vemuri descobriu que as pessoas que relataram sonolência diurna excessiva no início do estudo eram mais propensas a a ter aumentos de amilóide em seus cérebros. Essas pessoas também mostraram deposição mais rápida da proteína do que aqueles que não relataram sonolência diurna. 

Além disso, o amilóide foi mais pesado em duas regiões do cérebro: o cíngulo anterior e o precúrio cingulado, que geralmente apresentam altos níveis de amilóide em pessoas com Alzheimer.  Os pesquisadores já estão estudando se melhorar os hábitos de sono das pessoas pode ter um impacto no acúmulo de amilóides. Isso significa que, se o sono for uma maneira de atrasar ou até mesmo prevenir a doença de Alzheimer, as pessoas precisarão ter o hábito de dormir uma boa noite de sono cada vez mais cedo e sempre que possível.

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