Vitórias inesquecíveis em 2017, esperança em 2018

A costureira Rosângela Sodré e a estudante Ana Gabriela superaram o câncer e celebram o ano-novo com sonhos e confiança

qui, 04/01/2018 - 11:11

O ano do desemprego recorde e da maior crise econômica da história do País certamente foi o mais difícil da vida de dezenas de milhões de brasileiros. Mas pelo menos duas mulheres, de Belém, vão lembrar de 2017, para sempre, como o ano em que conquistaram as maiores vitórias de suas vidas, o ano em que nasceram de novo.

A costureira Rosângela Sodré, de 36 anos, ainda enfrenta o tratamento contra um câncer de mama, mas a esperança agora tem nome: Aruna Vitória, de apenas um mês de vida. Rosângela percebeu um nódulo no seio no início de 2017, em janeiro. Ela assistia a um programa de TV que falava do autoexame, apalpou as mamas e descobriu um nódulo. Rosângela nunca havia feito mamografia, já que não estava ainda na faixa etária recomendada.

Apesar da preocupação, ela só conseguiu fazer os exames de imagem dois meses depois. “Fiz os exames em uma clínica particular porque não consegui logo no serviço público”, lembra. O mastologista recomendou que Rosângela procurasse o hospital Ophir Loyola, referência no tratamento de câncer no Estado do Pará, e foi assim que ela conseguiu o diagnóstico, após fazer uma biópsia. A surpresa maior ainda estava por vir: Rosângela, que já tinha uma filha - Raíssa, de 14 anos – descobriu, logo após o diagnóstico, que estava grávida novamente. “Foram dois sustos muito grandes, ao mesmo tempo. O câncer e a gravidez”, lembra Rosângela, que chegou a pensar que precisaria interromper a gestação.

Depois de uma avaliação cuidadosa, com o apoio de outros profissionais de saúde, a oncologista Danielle Feio, do Centro de Tratamento Oncológico, deu a boa notícia: era possível manter a gravidez e fazer o tratamento. Rosângela fez acompanhamento pré-natal na rede pública, pela URE Materno Infantil (Alcindo Cacela), com consultas a cada 15 dias, e só iniciou a quimioterapia quando completou cinco meses de gravidez, em 20 de julho. Nesse período, o tumor, que era pequeno quando descoberto, teve um crescimento acentuado e já estava com seis centímetros em junho. “Foi uma gravidez de risco, claro, mas junto com o obstetra acompanhamos cada passo e o nascimento da criança, saudável, foi uma grande vitória” destaca a médica Danielle Feio.

O marido de Rosângela, André Brasil, que acompanhou todas as consultas, exames e sessões que quimioterapia, diz que a filha, Aruna Vitória, é a grande força da família para continuarem o tratamento em 2018. “Graças a Deus, minha filha está bem e agora é pensar no futuro, continuar o tratamento e ficar boa”, diz Rosângela, confiante.

O enorme sentimento de vitória, no final de 2017, liga a costureira Rosângela à estudante Ana Gabriela Araújo, de apenas 17 anos. Diagnosticada com um osteossarcoma no joelho esquerdo, que causou a amputação da perna e metástases nos dois pulmões, Ana Gabriela teve o ano mais duro da vida, ainda tão curta. Foram dezenas de sessões de quimioterapia e várias internações. Em outubro, logo depois de fazer a última sessão do tratamento, Ana Gabriela, com a resistência baixa, foi internada na UTI, em estado grave. Mas a recuperação surpreendeu até os médicos. E os últimos exames comprovaram a cura do câncer. A jovem recebeu alta e agora só precisa fazer o acompanhamento, a cada três meses. “Eu sempre tive fé e essa notícia era tudo o que eu esperava. Agora só coisas boas virão em 2018”, comemora a estudante. “Este ano foi difícil, mas me fez superar todos os meus medos, me tornou uma pessoa mais forte e capaz de enfrentar qualquer dificuldade, com Deus e a minha família”, garante ela.

Para o ano novo, os planos são se dedicar aos estudos. Apesar de todas as dificuldades em 2017, Ana Gabriela conseguiu passar no vestibular. Vai cursar Enfermagem na Universidade da Amazônia (Unama). “Escolhi o curso depois de passar por esse tratamento. Quero ajudar outras pessoas como fui ajudada pelas pessoas que cuidaram de mim”, explica. “Acho que 2018 será o ano de renovar as esperanças. De mostrar que somos capazes de vencer. Eu consegui e sei que outras pessoas também podem superar todas as dificuldades”, conclui Ana Gabriela.

Por Dina Santos, especialmente para o LeiaJá Pará.



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