Delegados podem ser presos por crime cometido na ditadura

Justiça recebeu denúncia a respeito de um metalúrgico que foi preso de forma ilegal e morto sob custódia da justiça paulista

por Wagner Silva qui, 07/12/2017 - 16:40

Dois ex-delegados do Departamento de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo (Deops) foram denunciados por sequestro durante a ditadura militar. Na denúncia apresentada à Justiça Federal, Alcides Singilo e Francisco Seta são acusados de prender ilegalmente o metalúrgico Feliciano Eugênio Neto, que foi torturado e morto um ano depois de sua detenção. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), Feliciano era militante do Partido Comunista Brasileiro e sua detenção ficou em sigilo por quase um mês.

Além de ser preso sem flagrante ou ordem judicial, o metalúrgico ficou mais de dois meses na sede do Deops e depois disso foi levado para o presídio do Hipódromo, na Mooca. A prisão dele só foi decretada em janeiro de 1976, três meses após ser conduzido pela polícia. No final do mesmo ano, Feliciano foi internado no Hospital das Clínicas e não resistiu. Sua morte foi considerada um crime político pela Comissão Nacional da Verdade.

Como a morte aconteceu motivada por perseguição política durante a ditadura fica classificada como um crime lesa-humanidade e, segundo o MPF, por essa razão não prescreve. Caso condenados, os delegados podem pegar penas de cinco anos de prisão e perda das aposentadorias.

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