Medo do câncer assombra os brasileiros, diz pesquisa

O Pará é o Estado com maior índice de carcinofobia; 54% dos paraenses temem contrair a doença e muitos fogem da prevenção

ter, 28/11/2017 - 16:57
Divulgação Paula Sampaio, oncologista: faz muitos anos que o câncer deixou de ser uma sentença de morte Divulgação

Existem diferentes formas de medo, quando nossa vida está sendo ameaçada, ou quando o medo que é simplesmente resultado de um estado de preocupação. Sente-se medo de que algo possa acontecer baseado em mera hipótese. A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) acaba de divulgar os resultados da pesquisa “Os brasileiros e o câncer: entendimentos e atitudes”, que traça um panorama do conhecimento, percepções, hábitos e estilo de vida da população em relação à doença, e constatou que o medo do câncer – a carcinofobia – faz parte da vida de um grande número de brasileiros.

Apesar dos notáveis avanços da medicina, do crescimento significativo das chances de os tratamentos serem bem-sucedidos, das chances de cura terem aumentado substancialmente nos últimos anos, uma parcela nada desprezível da população não gosta sequer de falar a palavra câncer. Em uma escala de 1 a 10, 41% dos entrevistados classificaram como 10 o grau de medo quando pensam em câncer. O índice é maior entre as mulheres (48% versus 32% nos homens) e é alto em todas as faixas etárias. O Pará é o estado com maior índice de “carcinofobia” do Brasil: 54% dos paraenses têm medo do câncer em escala máxima.

Lutar contra esse tipo de medo pode parecer fácil, porém não é uma tarefa tão simples. “As pessoas parecem ter um bom entendimento de como o câncer poderia ser evitado. Entretanto, mostram-se pouco dispostas a adotar as medidas necessárias”, diz a oncologista clínica Paula Sampaio, do Centro de Tratamento Oncológico.

A pesquisa confirma isso: mesmo com medo, 24% dos entrevistados afirmaram não fazer exames preventivos. As principais justificativas para esse comportamento de risco são várias: não ter plano de saúde (29%), falta de tempo (28%) e o alto número de pessoas (20%) que não consideram necessária a realização desses exames preventivos. “As consequências são evidentes e gravíssimas. O diagnóstico precoce fica comprometido e, como se sabe, quando o câncer é diagnosticado em fase avançada diminuem drasticamente as chances de sucesso do tratamento e de cura do paciente”, alerta Paula Sampaio.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), a cada ano mais de 14 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas com câncer e 8,8 milhões de pessoas morrem vítimas dessa doença. No Brasil, somente para este ano, são esperados quase 600 mil novos casos.

O estigma da doença se consolidou nas primeiras décadas do século XX, quando o câncer matava e tinha chances de cura extremamente baixas. “Já faz muitos anos que o câncer deixou de ser uma sentença de morte. Nós lutamos todos os dias para derrotar de vez esse estigma, que já foi muito mais forte, mas, infelizmente, ainda há falta de informação e também falta de ação, de pessoas que se deixam paralisar por esse medo que mata”, diz Paula Sampaio. “Felizmente, a ciência tem provado que todo esse estigma criado em torno do câncer está errado. Hoje, as perspectivas para o diagnóstico e a terapêutica são as mais promissoras possíveis”, explica a médica. “Em casos como os de mama e próstata, as perspectivas de cura superam os 90%, caso sejam descobertos no começo”, diz ela.

Prevenção - Muitas pessoas passam grande parte da vida com medo do câncer e se esquecem, porém, de que o que importa é adotar ações que afastem a doença. Observar os fatores de risco é importante para a adoção de hábitos saudáveis. Portanto, esteja atento à alimentação e à prática de exercícios físicos, ao consumo de bebidas alcoólicas em excesso e ao tabagismo. A análise familiar também é fator importante para a prevenção do câncer.

As visitas periódicas ao médico são necessárias para acompanhar as condições clínicas do organismo. Nenhum processo cancerígeno aparece do dia para a noite. Portanto, o monitoramento da saúde pode auxiliar no diagnóstico precoce de tumores. Consequentemente, permite o tratamento e cura.

Por Dina Santos, especialmente para o LeiaJá.

COMENTÁRIOS dos leitores