TV flagra 'leilão' de africanos como escravos na Líbia

Em uma reportagem da emissora norte-americana "CNN", criminosos aparecem vendendo prisioneiros por até 1,2 mil dinares, o equivalente a cerca de R$ 2,6 mil

ter, 14/11/2017 - 15:23
Reprodução/CNN Após ter recebido uma denúncia, a rede conseguiu se infiltrar em um desses leilões com câmeras escondidas Reprodução/CNN

Traficantes de seres humanos foram flagrados fazendo um "leilão" de imigrantes da África Subsaariana na Líbia, principal ponto de partida para as chamadas "viagens da morte" no Mar Mediterrâneo rumo à Itália.

Em uma reportagem da emissora norte-americana "CNN", criminosos aparecem vendendo prisioneiros por até 1,2 mil dinares, o equivalente a cerca de R$ 2,6 mil. Após ter recebido uma denúncia, a rede conseguiu se infiltrar em um desses leilões com câmeras escondidas e viu o tratamento dado a essas pessoas.

"800, 900, 1 mil, 1,1 mil...", diz o "leiloeiro" ao vender um nigeriano que aparenta ter cerca de 20 anos e é descrito como membro de um grupo de "garotos grandes e fortes para trabalho na fazenda". Segundo a "CNN", que presenciou um leilão em outubro passado perto da capital do país, Trípoli, 12 pessoas foram vendidas em apenas sete minutos.

"Alguém precisa de um escavador? Este é um escavador, um homem grande e forte", afirma o leiloeiro na gravação feita pela emissora. Ainda de acordo com a rede, seus repórteres conseguiram abordar dois indivíduos que haviam sido leiloados, mas eles estavam tão "traumatizados" e "amedrontados" que não conseguiam ou não queriam falar.

A denúncia chega no momento em que a Itália comemora uma drástica redução no número de migrantes forçados que cruzam o Mediterrâneo Central, resultado obtido em grande parte graças a um acordo com a Líbia.

Em fevereiro passado, os dois países assinaram um pacto, patrocinado pela União Europeia, para Roma treinar e equipar a Guarda Costeira líbia, tornando-a capacitada para fazer operações de busca e resgate no Mediterrâneo. Dessa forma, pessoas socorridas no mar são levadas de volta para o país africano, e não mais para a Itália, como acontece quando o salvamento é feito por um navio europeu.

Além de reduzir o número de migrantes forçados que desembarcam em solo italiano, o acordo desestimula novas viagens, fazendo com que milhares de pessoas se acumulem na Líbia sob poder de traficantes, que então as leiloam para não perder dinheiro.

"O sofrimento dos migrantes detidos na Líbia é um ultraje à consciência da humanidade", declarou nesta terça-feira (14) o alto comissário das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.

O acordo para reduzir a migração clandestina no Mediterrâneo é contestado por agências humanitárias, que afirmam que a Líbia, um país em constante agitação desde a queda de Muammar Kadafi, não tem condições de garantir os direitos humanos e de acolher corretamente refugiados e migrantes forçados.

Entre 1º de janeiro e 14 de novembro de 2017, 114.606 pessoas fizeram a travessia do Mediterrâneo Central entre Líbia e Itália, número 31,10% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado.

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Da Ansa

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