Evangélicos vão doar R$ 11 mil para reformar terreiro

Após sofrer oito atentados, dinheiro será revertido para reconstrução do barracão de Terreiro de Candomblé

por Eduarda Esteves seg, 13/11/2017 - 12:48

Após sofrer oito atentados, o terreiro de candomblé Kwe Cejá Gbé de Nação Djeje Mahin, da mãe de santo Conceição d`Lissá, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, vai ser reformado com uma doação de R$ 11 mil da Igreja Evangélica. No próximo dia 22 de novembro um café da manhã vai marcar o momento histórico de união e maiores detalhes serão acertados. 

“Onde uns destruam, outros ajudam, temos que combater todas as ações de ódio, preconceito, racismo e intolerância religiosa, nos unir em prol das diversidades, liberdades, pluralidade e humanidades para que juntos possamos construir, efetivamente, um país das liberdades e diversidades respeitando as alteridades”, comemora o babalawo Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à intolerância Religiosa (CCIR).

A iniciativa surgiu a partir da CCIR, que viabilizou o contato e a comunicação entre as pessoas e organizações envolvidas neste processo. Para Ivanir, o ato é mais do que a reconstrução do espaço físico. "A ação reconstrói relações e afirma que é a partir da solidariedade que é possível estabelecer a paz, a comunhão e o amor entre as diferentes religiões", disse. 

Com tanta violência por grupos evangélicos aos terreiros de Candomblé e Umbanda em todo o Brasil, a presidente do Conselho de Igrejas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro (CONIC-Rio), Pastora Luterana Lusmarina Campos Garcia, concordou com a ideia de promover a reconstrução do terreiro. 

O caso

Há três anos, o segundo andar do barracão – Cazo Kweceja Gbe, da mãe Conceição d`Lissá, foi incendiado no bairro Jardim Vale do Sol, em Duque de Caxias. As chamas atingiram o segundo andar da casa e destruíram o teto, móveis, eletrodomésticos, roupas de santos e de integrantes do terreiro. 

"Já atearam fogo no meu carro, que na época estava quebrado e parado dentro do barracão. E dispararam tiros contra a minha casa e no portão do barracão. Deram nove tiros", diz Conceição d`Lissá.

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