Alderico, o maior 'colecionador' de calotas em linha reta

Em um galpão escondido e silencioso no bairro de Afogados, o restaurador de calotas conta com um acervo de ao menos sete mil produtos de diferentes marcas e estilos

por Eduarda Esteves qua, 04/10/2017 - 16:42

Quem passa pelo barulhento e movimentado bairro de Afogados não faz ideia de que um galpão escondido e silencioso, localizado em uma transversal da Avenida Sul, guarda raridades e uma infinidade de calotas, acessórios de formato redondo que cobrem as rodas dos automóveis. O simpático proprietário cedeu seu nome ao comércio há cinco anos. “Alderico Rodas” acumula pelo menos sete mil calotas em um estabelecimento de 20m², nas suas contas.

Alderico Vítor, seu nome de batismo, trabalha no ramo de equipamentos automobilísticos há vinte anos, mas nunca juntou tantas calotas. Desde que chegou ao seu novo galpão, há cinco anos, não para de chegar o material. Ele compra, vende, troca e recebe doações também de pessoas que passam por alí e deixam o material na calçada em vez de jogar no lixo. Orgulhoso do seu comércio, Alderico diz que reúne um acervo de calotas de todos os estilos, em material metalizado, cromado, plástico, e aço.

Com resquícios de tinta cinza que se misturam às unhas das mãos, Alderico se divide entre atender os clientes e trabalhar na restauração das calotas para deixá-las novinhas. O processo de restauro não é rápido e requer habilidade do profissional. Em sua loja, o acumulador de calotas conta que trabalha sozinho, mas preferia ter a ajuda de outras pessoas. “O problema é que não tenho dinheiro para bancar o aluguel e pagar o salário de um ajudante. Faço tudo sozinho”, conta.

Aposentado formalmente, mas trabalhando para manter as contas de sua casa em dia, Alderico não se considera um colecionador de calotas, mas tem noção da grande quantidade de produtos que tem em seu galpão, o que chama atenção de quem passa pela Rua Nicolau Pereira. “Eu sou um vendedor e se alguém quiser comprar tudo de uma vez só, eu vendo, por isso não posso dizer que coleciono”, diz.

Como se não bastasse lotar todo o galpão, o proprietário do comércio conta que o banheiro e uma pequena área para realizar as refeições, localizada na parte de trás da loja, foram tomados pelas calotas. O único espaço que sobra é na frente do estabelecimento, onde Alderico senta em seu pequeno banco, em uma brecha que restou. Para abrir e fechar a loja, o trabalho é dobrado. “As calotas ficam caindo na minha cabeça porque não cabem mais. Mas sempre gosto de receber novos estilos de marcas diversas, é o meu trabalho”, explica.

Na loja, o preço das calotas variam entre R$ 10 e R$ 20, nos modelos mais tradicionais. Esse valor pode aumentar caso o cliente procure por algum produto mais raro e difícil de comprar no mercado. A cada mês, Alderico compra ou recebe cerca de 100 calotas e só as rejeita se estiverem em um estado de difícil recuperação. O restaurador utiliza uma lixa, tinta cinza, massa para retirar os arranhões e água. A loja funciona de segunda a sábado, das 11h às 19h.

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*Fotografia: Rafael Bandeira/LeiaJáImagens

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